Um dos raros consensos nesta era do absoluto dissenso em relação a tudo é o de que a educação precisa ser reinventada. Ela não está cumprindo com os seus objetivos de permitir que a criança e o jovem desenvolvam suas potencialidades até o alcance da plenitude possível, menos ainda o capacitando para o trabalho ou o qualificando para o exercício de uma cidadania responsável. Isso não é privilégio do Brasil. O mundo inteiro enfrenta o desafio. Só que o Brasil, por sua crescente desigualdade, é um fenômeno muito mais grave. A educação poderia sanar nossos maiores problemas em uma geração. Mas não se verifica um conjunto de condições favorável a que essa verdadeira revolução tenha eficácia.
A preocupação com avaliações é recorrente. Mas a metodologia apura o grau de introjeção de informações contidas no conteúdo curricular na cabeça do aluno. Avalia-se a sua capacidade de retenção dos dados, a sua condição mnemônica. Pouca ou nenhum interesse em aferir se o estudante adquiriu maior consciência de seus deveres, se está apto ao enfrentamento de dificuldades, se consegue vislumbrar perspectivas para a sua vida futura, a prova difícil da maturidade.
A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) realiza a cada três anos, a partir de 2000, a prova conhecida pela sigla PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) e tenta fornecer pistas sobre o nível da educação em 72 países. Dez deles da América Latina. E os índices brasileiros são sofríveis. A boa notícia é que os próprios organizadores do PISA procedem a uma revisão da metodologia, para incluir as competências não cognitivas. Decorar não é o principal quando se cuida de educar. Ao contrário: tem-se de perguntar como será o mundo daqui a 20 ou 30 anos, quais as competências que os adultos terão de dominar e que tipo de escola necessitamos hoje para formar essa geração.
Reclama-se intensa reflexão por parte de todos. O governo é impotente para assumir todas as responsabilidades. Por sinal, não foi isso o que o constituinte quis, quando erigiu a educação a direito de todos, mas a dever do Estado e da família, em colaboração com a sociedade.
José Renato Nalini
Secretário da Educação do Estado de São Paulo
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.