Missa Afro emociona mais de mil no Paulistano


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Paróquia Sagrado Coração de Jesus ficou lotada na noite do último domingo: oração, fé, música e muita emoção
Paróquia Sagrado Coração de Jesus ficou lotada na noite do último domingo: oração, fé, música e muita emoção
A Missa Afro realizada na noite de domingo, dia 26, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Jardim Paulistano II, levou muitas pessoas às lágrimas e deixou cravada a mensagem de que é preciso mais união, tolerância religiosa, respeito e amor entre os povos pra combater o preconceito. Durante a celebração, mais especificamente durante a aclamação do Evangelho, Padre Ovídio visivelmente emocionado e com a voz embargada disse: “Como Igreja venho pedir perdão aos meus/nossos irmãos negros que sempre foram excluídos e desprezados e, mesmo assim, não desistem e não fogem da luta. Estou com o coração triste, ferido, devido aos acontecimentos que tentaram impedir esse ato. Como se o negro não tivesse que participar do Reino de Deus. Vocês não precisam mais mendigar por espaços. Na ‘Coração de Jesus’ vocês sempre serão acolhidos. Sintam-se em casa”. Neste momento, o pároco foi aplaudido de pé por mais de mil pessoas que ocuparam o espaço interno e externo da paróquia.
 
Minutos antes de começar a Missa Afro, um cortejo puxado pelo grupo Cangoma anunciou, com o toque dos tambores seguidos de dança pelos arredores da paróquia, que a missa ia começar. Logo, os fiéis entraram se acomodaram para a solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. O local ficou pequeno. Muitos disputaram um espacinho na janela, do lado de fora, para tentar ver a performance do Coral Afro Francano, do Padre Ovídio e as homenagens à Nossa Senhora Aparecida e ao coroação de Cristo Rei. O coral do maestro Enrico Nery também esteve presente na celebração.
 
O promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges foi um dos que estiveram presentes. Ele se manifestou sobre a Missa Afro publicando um texto nas redes sociais. “A certeza é de que na presença de Jesus Cristo, a cor da pele não tem importância, nem mudará atos heróicos ou algum dos nossos pecados históricos”, diz um trecho da publicação. Rogério Navarro, representando a Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), também prestigiou o momento.
 
Repercussão
A Missa Afro é realizada em Franca há mais de uma década. As paróquias São Crispim, no City Petrópolis, e São Benedito, no Boa Vista, já receberam a celebração realizada no mês de novembro, por conta comemoração da Consciência Negra. O intuito é celebrar a missa católica junto com representantes de outras religiões, neste caso, da umbanda e do candomblé, como forma de mostrar que todos estão unidos por um objetivo comum. Neste ano, um ofício endereçado ao bispo Dom Paulo Roberto Beloto, da Diocese de Franca, pediu a anulação do ato por “infringir os preceitos litúrgicos”. Padre Ovídio disse que argumentou com o religioso e conseguiu manter a missa.

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