NÚMEROS FRIOS NÃO REFLETEM O QUE OS BRASILEIROS SENTEM NA PRÓPRIA PELE
Em política vale tudo, já disse a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Vale distorcer números, mentir e prometer. Prometer muito, quanto mais melhor (para eles). E o brasileiro, crédulo, não consegue dissociar as suas expectativas da cruel realidade em que vive. E continua acreditando naqueles que escolhe como representantes, na maioria das vezes sem acompanhar a sua atuação, cobrando e exigindo que seus direitos sejam respeitados. Numa crise, o primeiro a pagar é o eleitor — normalmente o contribuinte que precisa trabalhar mais de cinco meses por ano só para pagar impostos (federais, estaduais e municipais) — que não se beneficia das vantagens que cercam os cargos eletivos. E a classe política promove uma verdadeira sangria nos cofres públicos ao participar de esquemas que reduzem as verbas que poderiam estar sendo usadas em Educação e Saúde, por exemplo.
Em qualquer país sério, a prisão de três ex-governadores e três ex-presidentes de casas legislativas, como ocorreu no Rio de Janeiro, já seria devastador. A população rapidamente se insurgiria e exigiria uma resposta inclemente da Justiça. E quando denúncias atingem o máximo mandatário da Nação, alguns de seus ministros e auxiliares de todas as horas, dificilmente o povo permaneceria calado. O que é pior: as suspeitas ainda atingem ex e atuais governadores, senadores e deputados. Não há governo, apenas os ditatoriais, que se sustente em situação análoga à que vivemos atualmente. Ninguém está imune às denúncias, que surgem diariamente aos borbotões: Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Geraldo Alckmin (PSDB), governadores de dois dos mais importantes Estados do País e que vinham atravessando este mar de lama incólumes, estão prestes a ser investigados.
Enquanto o Brasil se vê encalacrado com este tipo de político que nos governa (?) e mantém uma inexplicável apatia, o governo do presidente Michel Temer (PMDB) tenta externar uma aparente normalidade utilizando propagandas (não só do governo, mas a partidária também) que mostram um crescimento econômico, com redução no desemprego, queda da inflação e retomada da atividade, esta percepção não tem chegado ao bolso do brasileiro comum. A retomada do emprego só está sendo possível por causa do aumento da informalidade: demitidos não estão sendo recontratados. Já a queda da inflação não se reflete no bolso do trabalhador: preços continuam aumentando nos supermercados, os combustíveis sobem semanalmente e não há expectativa de estabilização. Já a retomada da atividade está longe de acontecer, já que a produção cresce lentamente e não houve recomposição do mercado do trabalho. Como se pode ver, a expectativa do brasileiro ainda está longe de ser uma realidade.
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