Fiéis tentam impedir Missa Afro, mas padre garante o ato


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O Coral Afro irá se apresentar na missa deste domingo na Paróquia Sagrado Coração de Jesus
O Coral Afro irá se apresentar na missa deste domingo na Paróquia Sagrado Coração de Jesus
A Missa Afro está programada para acontecer neste domingo, dia 26, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Jardim Paulistano 2. O intuito da celebração, segundo os organizadores, é nutrir o diálogo entre religiões promovendo o respeito, união, paz, amor e a fé. No entanto, a ação religiosa está sendo alvo de críticas. Um ofício foi endereçado ao bispo Dom Paulo Roberto Beloto, da Diocese de Franca, pedindo a anulação do ato por “infringir os preceitos litúrgicos”. 
 
“Caro D. Paulo, permita-nos, apesar do respeito filial, falar a Vossa Excelência Reverendíssima sem peias: escândalo é justamente o que celebrações como essas causam no católico comum. É por coisas como estas que muitos deles têm sido empurrados para comunidades evangélicas, dentro das quais ao menos ver-se-ão livres de sincretismos deste tipo”, diz um trecho do texto, que circula pelas redes sociais. 
 
Apesar dessa movimentação, padre Ovídio José Alves de Andrade, responsável pela Paróquia Sagrado Coração desde fevereiro deste ano, afirmou que a programação da Missa Afro está mantida. Segundo o religioso, em conversa por telefone com o bispo - que de acordo com o padre ficou a par do manifesto - nas últimas semanas, foi repassado o que será apresentado para a comunidade neste domingo e ele não se posicionou contrário ao ato. 
 
Padre Ovídio confirmou também que há uma pressão para o cancelamento da Missa Afro por parte de alguns católicos. “Fico triste com quem julga sem ao menos conhecer o propósito e o ato. Me sinto envergonhado por alguns irmãos católicos que estão sendo preconceituosos com esse julgamento precipitado”. 
 
O ato terá a presença do Coral Afro Francano, Grupo Cangoma e representantes de religiões de matrizes africanas. Padre Ovídio acredita que parte da reação pode ser atribuída ao fato do nome do evento que remete a uma manifestação da cultura afro. “O negro sempre foi excluído e sua cultura/religião vista como algo negativo. Alimentar isso nos dias de hoje é ignorância. Isso é preconceito.”
 
‘Papa pede diálogo’
Juliano Silva, coordenador da Pastoral Afro da Capelinha, que tem como um dos objetivos promover e defender o direito do povo negro, endossa o posicionamento de padre Ovídio e lembra que o que está sendo realizado segue um dos apelos do Papa Francisco para ter a paz entre os povos. “O papa pede aos irmãos este acolhimento, esse diálogo inter-religioso”.
 
A professora Glenda Cristina Valim de Melo foi uma das pessoas que receberam a mensagem por WhatsApp, e se indignou. “É lamentável observarmos justamente o oposto dos preceitos cristãos em alguns membros da igreja católica. No mês da Consciência Negra, em tempos de intolerância religiosa, desrespeito e racismo, é louvável que a paróquia Sagrado Coração faça uma Missa Afro, com a presença de membros das religiões de matriz africana, sinalizando a importância de diálogos e de respeito com outras religiões e seus participantes. Afinal, não somos todos irmãos em Cristo ou somos irmãos em Cristo quando nos é conveniente?” 
 
A missa
A Missa Afro está prevista para começar às 19 horas. A paróquia fica na rua Gilberto de Aguilar, 771, no Jardim Paulistano 2. 
 
“Neste domingo de Cristo Rei, o próprio Evangelho deixará uma mensagem bem clara sobre o amor ao próximo, o acolhimento e o respeito”, finalizou padre Ovídio.

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