CRIMINALIDADE VIOLENTA ESTÁ DEIXANDO O CIDADÃO PRESO E CRIMINOSOS À SOLTA
A questão não é nova. Mas o recrudescimento da criminalidade e seu potencial violento está causando uma série de mudanças no comportamento da sociedade brasileira. Hoje, enquanto a legislação penal não se mostra capaz de dar as respostas que o cidadão de bem anseia, vemos famílias inteiras fechadas intramuros, cercadas por aparatos de segurança para tentar se isolar da ação de bandidos que, hoje, não se contentam apenas em invadir e roubar: agridem, ameaçam e causam danos. E matam. A sensação de insegurança cresce a cada dia. A Segurança Pública não consegue acompanhar a evolução do crime organizado, cujo armamento pesado, que perfura veículos brindados, é combatido com revólveres e, no máximo, fuzis de menor (e bota menor nisso!) poder ofensivo. É uma briga de David contra Golias.
Um exemplo desta sanha criminosa: um aposentado de 64 anos foi amarrado e ameaçado de morte por uma quadrilha, na última quarta-feira, em sua chácara na zona rural da cidade. O bando conseguiu fugir. Aproveitando-se de que o aposentado estava sozinho, os seis bandidos, um deles armado com revólver, renderam a vítima, deixando-a amarrada. O bando pegou diversos eletrodomésticos e documentos e fugiu pela estrada na caminhonete S-10 do refém. Cerca de dez minutos depois, o idoso conseguiu se soltar e foi até um vizinho, de onde acionou o socorro. Em entrevista ao repórter Cássio Freires, da rádio Difusora, o aposentado disse que sua intenção é reunir as poucas coisas de valor que lhe sobraram e abandonar a propriedade. Esta foi a segunda vez em que ele foi vítima de assalto no local. Como se pode ver, nem a Segurança Pública e muito menos a Justiça são capazes de promover a segurança que todos merecemos — e pagamos.
Ao mesmo tempo em que as políticas públicas de segurança não conseguem acompanhar o avanço da criminalidade (movida muitas vezes pelo vício em drogas ilegais, como maconha, cocaína e crack), o nosso septuagenário Código Penal permite esta distorção, onde o cidadão de bem fica preso e o bandido encontra-se à solta. Caso tivéssemos leis mais severas, que fechassem as brechas e benefícios sem sentido (como permitir que quem matou crianças goze da ‘saidinha’ do Dia das Crianças, por exemplo), o que reforça a sensação de impunidade dos marginais, dificilmente teríamos chegado a esta situação. Por anos, o País (principalmente em centros maiores, como Rio de Janeiro e São Paulo) foi tolerante com a ação do crime organizado, primeiro com os chefões do jogo do bicho e depois com o tráfico de drogas. Hoje, vivemos uma situação insustentável para a qual não se encontram soluções em curto ou médio prazos. E, assim, permaneceremos encarcerados, sendo que muros, cercas ou câmeras não nos mantêm a salvo.
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