O açougueiro Wesley Fernando de Miranda, 34, responsável pelo acidente que matou o bebê Davi Lucca Silva Barato, de 4 meses, e seu pai, Wesley Silva Barato, 29, em maio deste ano, vai a júri popular. Ele foi denunciado pelo promotor do caso, Odilon Nery Comodaro, e a denúncia foi recebida pelo juiz da Vara do Júri e Execução. Sua defesa recorreu, e agora o caso está no Tribunal de Justiça de São Paulo. O réu segue na Penitenciária de Franca.
Na denúncia, Comodaro destaca a forma como Miranda agiu. Para o promotor, o açougueiro assumiu o risco de causar um acidente e matar pessoas ao atirar seu veículo de um barranco no Leporace e atingir o veículo em que as vítimas e familiares estavam, na rodovia Cândido Portinari.
“Compreendi que ele assumiu o risco de matar com sua atitude de jogar o carro do barranco. Não busquei enfatizar tanto o fato de ter ingerido bebida alcoólica pois, só a forma como causou o acidente, já caracteriza que agiu mediante dolo eventual (quando o indiciado prevê o resultado de um crime, não quer o ocorrido, mas assume o risco de matar)”, explicou o promotor.
A tragédia que vitimou o pai e o bebê, bem como deixou outras cinco pessoas feridas, aconteceu no dia 28 de maio. Segundo o apurado pela Polícia Civil, Miranda passou o dia bebendo cervejas e pinga com mel em casa, onde brigou com a mulher, uma sapateira de 28 anos. Irritado, ele saiu do local dizendo que se mataria. Ele pegou o carro, um VW Voyage, e saiu em alta velocidade.
Ao chegar no barranco da alça de acesso do Leporace à rodovia, o açougueiro acelerou o veículo, se atirando na pista. Ele atingiu o teto do Ford Escort que Barato conduzia. Davi estava no banco ao lado, no colo da mãe, Thaís Silva Froes Barato, 26.
No banco de trás, estavam a outra filha do casal, Yasmim Silva Morais, 9, a atendente Janaína Rodrigues da Silva, 29, e seus dois filhos - Ana Júlia Rodrigues Silva, 9, e Gustavo Henrique Rodrigues da Silva, 11. Dos cinco sobreviventes, Thaís foi a mais atingida pelo veículo e ficou dias internada na Santa Casa. Os outros tiveram alta pouco depois do acidente.
Miranda, por sua vez, teve apenas ferimentos leves e acabou indiciado por duplo homicídio. Da delegacia, foi direto para a Penitenciária de Franca, de onde não saiu mais. Agora, o processo está em grau de recurso e não há data de retorno com a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo.
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