Fico imaginando como seria se não houvesse uma pasta para cuidar de assuntos estratégicos na Prefeitura. Planejamento e organização não são características do governo municipal. O improviso e a precipitação se sobressaem. No mais recente episódio, para tentar resolver um problema, Gilson de Souza (DEM) criou outro.
No dia 10, o promotor Paulo Borges recomendou ao prefeito que exonerasse a advogada Marcela Barros da função de coordenadora de Assuntos Jurídicos da Procuradoria Jurídica. A nomeação, segundo Borges, é irregular, uma vez que o cargo é equivalente ao de um procurador do município. Deveria ser preenchido por servidor concursado e não por indicação. Deu dez dias de prazo para Gilson tomar providências sob pena de ser alvo de ação judicial.
Na terça-feira, Marcela deixou o cargo questionado pelo MP e foi remanejada pelo prefeito para a coordenadoria de projetos da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Acontece que o jornalista Realindo Júnior havia sido nomeado para a mesma coordenadoria no dia 1º deste mês. Era aposta para melhorar a comunicação e a articulação política, duas falhas flagrantes do governo.
Mas, para acomodar Marcela, Gilson decidiu exonerar Realindo. Ofereceu a ele um lugar no setor de Habitação. Profissional competente e correto (teve a nomeação elogiada, inclusive, pela oposição), Realindo não aceitou. Avaliou o prêmio de consolação como “deplorável” e deixou o governo 21 dias após ter assumido. “Não achei legal interromper o trabalho. Estou fora.”
Sob nova direção: O vereador Pastor Otávio Pinheiro, que respondia interinamente pelo partido desde a morte de César Mamede, em março, foi eleito presidente do diretório municipal do PTB. Pretende atrair novos filiados e lançar candidatos a deputado estadual e a federal no ano que vem. Me disse que Sebastião Ananias desistiu da aposentadoria e que pediu para sair a federal.
Cartas marcadas: No dia 7 de dezembro, 48 horas após realizar a última sessão ordinária do ano, a Câmara vai se reunir para eleger o novo presidente. Donizete da Farmácia (PSDB), aliado ao governo, deverá ser eleito. Hoje, ele tem nove votos, mas não será surpresa se levar os 15, caso Claudinei da Rocha (PSB) renuncie à candidatura.
Estranho no ninho: Mesmo sendo do PSDB, partido de oposição ao governo, o vereador Tony Hill foi à festa de aniversário de Gilson de Souza na semana passada e cantou diversas modas de viola, entre elas, uma que começa assim: “Eu quero que risque meu nome da sua agenda”. Teria sido um recado para os tucanos?
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.