BRASIL GASTA MAIS COM SERVIDORES DO QUE FRANÇA E EUA, DIZ BANCO MUNDIAL
O Brasil continua registrando déficits em suas contas e parte disso se deve ao excessivo gasto com funcionalismo. Os servidores aposentados também fazem o pêndulo da balança da Previdência pender perigosamente e aumentar o rombo que o governo anuncia como insustentável. Como se pode ver, os gastos excessivos decorrentes dos altos salários pagos aos servidores (da ativa e aposentados) são preponderantes para que as despesas com a máquina administrativa e da Previdência desequilibrem os seus orçamentos, exigindo reformas que acabam atingindo aqueles que mais precisam.
O Brasil gasta mais com funcionalismo que do EUA, Portugal e França, de acordo com relatório divulgado ontem pelo Banco Mundial. A peça mostra que os gastos do país com servidores (de todas as esferas de governo) alcançaram 13,1% do PIB em 2015 (último dado disponível). Há dez anos, o número era de 11,6%, o que colocava o Brasil atrás dos europeus. Outros países desenvolvidos, como Austrália e EUA, gastam consideravelmente menos -a massa salarial equivale a cerca de 9% do PIB.
Mas o gasto superior do Brasil não se deve a um inchaço ou excedente de funcionários a serviço da população, segundo o Banco Mundial. Mas sim à remuneração acima da média dos servidores, principalmente os funcionários do serviço público federal. Segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), reunidos pelo banco, no Brasil 5,6% da população empregada está no setor público. Nos países da OCDE, entre os quais os mais ricos do mundo, este percentual é de quase 10%. A desigualdade salarial em favor dos funcionários públicos também é elevada quando comparada às remunerações no Brasil.
Segundo levantamento do Banco Mundial com base nos dados do IBGE, o setor público paga em média salários 70% mais elevados do que os pagos pela iniciativa privada formal — R$ 44.000 contra R$ 26.000 por ano — e quase três vezes mais do que recebem os trabalhadores informais (R$ 16.000 anuais). Isso coloca os servidores federais no topo da pirâmide de renda do Brasil — 93% do funcionalismo civil do governo federal faz parte do 40% mais rico da população brasileira. Sete em cada dez destes funcionários integra o grupo dos 10% mais ricos do país.
Além disso, mais de um terço do total que o governo tem que desembolsar para fazer frente à Previdência vai para pagar as aposentadorias dos 20% mais ricos da população. Na outra ponta, os 20% mais pobres recebem 4% dos subsídios previdenciários. Essa discrepância ocorre em parte pelo elevado gasto com as aposentadorias dos funcionários públicos, que em geral estão na camada mais privilegiada da sociedade.
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