A entrevista do tenente-coronel Valdemir Guimarães Dias, novo comandante do 15° Batalhão de Polícia Militar, publicada na edição de domingo do Comércio da Franca, pautou as discussões no expediente de hoje da Câmara Municipal. “Nossa legislação favorece somente o bandido. Há muitas oportunidades de defesa desse indivíduo e isso enfraquece a ação policial”, afirmou o coronel.
Adérmis Marini (PSDB) comentou as declarações em seu discurso na tribuna. “Difícil não concordar com o comandante. Normalmente, quem assume cargos tem postura reservada, evita falar sobre temas polêmicos, mas ele fez afirmações sérias que traduzem a realidade. Por isto, o parabenizo pela entrevista. A lei tem que ser revista”.
Corrêa Neves Júnior (PSD) afirmou que é impossível não se indignar com o conjunto de normas e leis em vigor. O vereador citou dois casos recentes como exemplos do que classificou como completa inversão de valores. O primeiro foi a ocorrência em que um morador de Poconé (MT) foi preso, no sábado dia 11, após atirar e matar um bandido que havia invadido a casa dele para roubar. “Em qualquer lugar do mundo, este homem seria visto com admiração pela defesa que fez da família dele. Mas, no Brasil, a vítima foi indiciada e presa por homicídio. Passou dois dias na cadeia. Ele tinha porte de arma e estava dentro da casa, que foi invadida por um bandido armado. É uma situação absurda que tenha que responder por homicídio”.
Corrêa Júnior também repudiou a pena irrisória imposta à motorista que provocou a morte do advogado e professor universitário Paulo Agesipolis Gomes Duarte, 43, o Paulim, da banda francana Téti & Paulim, em novembro de 2014. Paulim teve seu veículo atingido frontalmente por outro, conduzido pela então estudante universitária Gabriela Gandolfi Cardillo na rodovia Cândido Portinari, em Brodowski (SP). “O carro dele foi abalroado por uma cretina que havia saído de uma festa bêbada. O Paulim morreu e a sentença dela foi uma condenação de dois anos de prisão. Isto, não dá cadeia para ninguém no Brasil. Além de não dar cadeia, é possível trocar a pena por duas cestas básicas. Ela ainda foi ao Facebook comemorar. Não tem uma palavra sobre o Paulim, nem um telefonema ou oferta de ajuda aos familiares da vítima. Apenas comemorou o seu renascimento. Tinha que ter respeito por quem ela matou. Quem pega um carro bêbada, invade a pista contrária e mata, é assassina”.
O vereador completou dizendo que a inversão de valores que impera no Brasil é revoltante. “Há uma distorção absurda no País. Quem pega o carro embriaga e mata, recebe pena patética. Quem defende o lar que foi invadido por um bandido, vai responder por homicídio. Temos que dar razão para o tenente-coronel. É preciso impulsionar a mudança destas leis”.
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