Cadeia se transforma em 'cemitério' de carros


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Dezenas de veículos se amontoam há meses - e até anos - em estacionamento da cadeia do Jardim Guanabara
Dezenas de veículos se amontoam há meses - e até anos - em estacionamento da cadeia do Jardim Guanabara
A Cadeia Pública do Jardim Guanabara tem acumulado um problema: quase uma centena de automóveis em seu pátio, à espera de seus donos - alguns que estão presos e outros que já morreram - ou do encerramento dos inquéritos e processos.
 
Pelos cantos da cadeia, é possível se deparar diversos carros, dos mais variados modelos e cores, parados sobre quatro pneus furados e nem um pouco conservados. Alguns estão completamente destruídos, com os vidros e pára-brisa imundos, portas batidas e placas em frangalhos. Outros estão mais novos ou chegados há “poucos” meses ou anos e nem tão prejudicados com o sol intenso batendo em seus tetos e capôs.  
 
Entre os carros amontoados na parte superior do sistema prisional, um Honda Civic modelo novo chama atenção. “Está aqui há pouco tempo e quase não rodou. É completamente novo, modelo completo e praticamente sem uso. Foi apreendido e não sairá daqui tão cedo”, disse um carcereiro durante o “passeio” da reportagem pelo presídio. As mais de 20 motos estão em um canto, tentando resistir à ferrugem e ao cenário atípico.
 
Na parte de baixo da cadeia, quase em frente ao corredor das celas femininas, estão dispostos pelo menos outros 50 veículos. Há vários populares e novos, como Corsa, Gol, Uno, Idea e Celta; como também alguns Fuscas e Kombis que poderiam estar circulando ou em um salão de carros antigos. Não é incomum deparar-se com caminhonetes quase zero quilômetro, como L-200 e S-10, e carros apreendidos com traficantes após ação das polícias Civil e Militar.
 
Por isso, em casos como esses de drogas, torna-se praticamente impossível devolver ao dono já que a origem do dinheiro da compra pode ser ilícita e raramente fica-se comprovado que o veículo foi adquirido sem algum tipo de envolvimento com o mundo do crime.
 
Carros que fizeram parte de acidentes também compõem esse hall de veículos. Um exemplo envolve o agente policial Celso Alves de Freitas, 39, morto em 2013 em uma colisão na rodovia João Traficante. Sua picape Corsa segue nos fundos do Guanabara, completamente destruída e inutilizável.
 
Segundo o delegado Eduardo Lopes Bonfim, responsável pela cadeia, essa situação é uma história sem fim. “Não temos o que fazer com esses automóveis aqui, exceto evitar que acumulem água e virem foco de dengue. O Pátio Municipal não vive uma realidade diferente da nossa, já que há muitos carros e quase nenhum espaço. Não podem ser leiloados, destruídos, nada. E vão ficando”, definiu.
 
A reportagem do Comércio tentou entrar em contato com a SSP (Secretaria de Segurança Pública) durante o final de tarde e noite de sexta-feira para solicitar um posicionamento acerca do “‘cemitério” de veículos no Guanabara. Porém, a assessoria não atendeu às ligações.

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