Safadeza continua batendo a Justiça


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SERÁ QUE UM dIA CONSEGUIREMOS LIMAR ESSA QUADRILHA DE CORRUPTOS DA VIDA NACIONAL?
De acordo com a Constituição Brasileira, os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) são independentes e um não deveria interferir nas decisões dos outros. Porém, desde que começaram as investigações da Lava Jato, virou uma bagunça: o Judiciário prende, o Legislativo solta e o Executivo age nas sombras e bate palmas. Nem as decisões da mais alta corte do Judiciário brasileiro, o STF (Supremo Tribunal Federal) são mantidas. Segundo a Carta Magna, cabe ao Executivo (presidente da República, governadores de Estado e prefeitos) administrar o governo; representar o Brasil no exterior (no caso do presidente); e sancionar leis feitas e aprovadas pelo Poder Legislativo. Já o Legislativo (senadores, deputados e vereadores) tem como atribuições fazer a fiscalização das medidas e ações tomadas pelo Poder Executivo; criar e aprovar leis em benefício da população e aprovar leis, através de votações, feitas pelo Poder Executivo. Finalmente, cabe ao Judiciário (exercido por magistrados nas diversas instâncias da Justiça) compete fazer a fiscalização dos Poderes Executivo e Legislativo, garantindo, principalmente, o cumprimento da Constituição e das leis e garantir o respeito aos direitos coletivos e individuais.
 
Como se pode ver, não é atribuição do Poder Legislativo atuar corporativamente, em defesa de seus integrantes. Como os próprios legisladores não atuam para limar de seus quadros agentes corruptos, a Justiça precisa agir. Mas o que vemos é que os interesses pessoais fala mais alto. Ontem, a Assembleia Legislativa do Rio decidiu revogar a prisão preventiva e o afastamento do mandato do presidente da Casa, Jorge Picciani, e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB. A decisão de devolver o mandato aos deputados deve ser questionada pelo Ministério Público Federal. Há divergência se a Alerj tinha poder para discutir sua devolução. Os três deputados são acusados de receberem R$ 500 milhões dos donos de empresas de ônibus.
 
Até quando o Brasil vai continuar calado ao ver processos judiciais ignorados, provas mascaradas e ilegalidades permitidas? Não é esse o País com o qual sonhamos, jogado na lama por causa de uma corrupção abjeta. Ainda o Legislativo federal tenta, vez ou outra, criar uma certa blindagem para que políticos criminosos não sejam responsabilizados, um verdadeiro salvo conduto para roubar o suado dinheiro do contribuinte brasileiro. A indignação com os casos de corrupção e a forma como os políticos tratam esse assunto só tende a aumentar, quando se vê que não há qualquer interesse em sanear nossas instituições. É preciso que nos insurjamos contra a corrupção e façamos valer, nas urnas, a nossa vontade. Do contrário, os lobos ainda continuarão tomando conta do rebanho.

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