tenho em mim ainda suas
ruasseu cheiro, o suor das noites
sombras azuis de montanhas
enferrujando ante cortes assassinos
no seu jeito inocente de pecar
aprendi rituais imortais
faca, fumo, ferida exposta
seus dias pelas noites misturei
e vi seus segredos desnudos
vestirem meu eterno provisório.
partidas sempre momentâneas
deram-me a ilusão do retorno eterno
germânica necessidade de enganara
impossível esperança de retornar.
abriu-me chagas o tempoe as cicatrizes não se acomodam
falta-me o minério de suas mentiras
Cidade carrasca e amante
que cede enquanto usufrui
e fere quando saciada.
no retorno de tantas idas a perdi
caminhei às tontas tateando seu cheiro
perdi-me em seus cruzeiros
desafiando corrompidas bússolas
que insanas confundiram meus passos.
carrego hoje a fuligem do passado
cruzo Carijós ou Caetés
piso remanescentes Tupis
e sonho morrer pleno em Amazonas
na grande festa da Guaicurus.
hoje estou passageiro
viajo na rota das nuvens
sigo cores inconsequentes
pálidas aquarelas envelhecidas
misto de razão e pôr-do-sol
que no vale do triste horizonte
velam meus sonhos delinquentes.
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