Sarau transforma dificuldades em arte


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Setenta e três pacientes do instituto, com idades de 1 a 96 anos, participaram do sarau 'Em que mundo você vive?'
Setenta e três pacientes do instituto, com idades de 1 a 96 anos, participaram do sarau 'Em que mundo você vive?'
“Tenham todos uma noite de muitas transformações!”, anunciou o apresentador do 3º Sarau do Instituto de Terapia Ocupacional Sensus Vitae, de Franca. Na sequência, a atriz Claire Jezequel, que tem uma prótese na perna direita, assumiu o palco e convidou a plateia a exercitar o olhar em relação ao próximo, a apreciar a arte da superação e a aceitar o outro como ele é. Assim começou a terceira edição do evento que contou com um elenco formado por pacientes com Síndrome de Down, autismo, hidrocefalia, paralisia cerebral e outros comprometimentos. O sarau, que tem entre os propósitos a inclusão de pessoas deficientes e “ajudar a percebermos que cada um carrega o dom de ser capaz”, foi realizado nos dias 9 e 10 de novembro.
Setenta e três pacientes do instituto, com idades de 1 a 96 anos, participaram do sarau “Em que mundo você vive?”, que reuniu 600 convidados no teatro do Senai e fez muitos deles transbordarem de emoção com as conquistas do elenco de “atores”, para os quais, dar um “simples” passo, conseguir falar uma frase ou cantar são grandiosas vitórias.
 
Sentados na primeira fileira, Taciana e Vinícius Peraro, pais da Ana Luiza, 4, viveram uma noite de emoções. Ana Lu nasceu prematura - de 28 semanas, contraiu meningite recém-nascida e teve como sequela grave paralisia cerebral. Como ela não anda, se apresentou no colo da terapeuta ocupacional e conseguiu se apoiar em pé. “Estou muito orgulhosa da minha filha, porque o prognóstico dela não era dos melhores e ela conseguiu coisas que não eram esperadas, como ficar em pé por alguns segundos durante a apresentação”, disse a mãe. 
 
Bruna Oliveira, 10, também diagnosticada com paralisia cerebral, subiu ao palco acompanhada dos colegas e cantou a música Trem Bala, sucesso de Ana Vilela sobre a efemeridade da vida. Dudu Martori, 9, também tem paralisia cerebral e dificuldades na fala, mas recitou trecho de um verso e vibrou. “Gosto muito do sarau, por causa dos amigos”. Dona Delinha, 96, arrancou sorrisos da plateia ao responder ao microfone o que era preciso para um mundo melhor. “Tem que trabalhar! Não pode ficar andando à toa na rua. Fazer o bem. Não fazer mal a ninguém”, disse ela, que tem acompanhamento para estimulação. 
 
Os aplausos durante o espetáculo foram com as mãos para cima, na linguagem de sinais, para não incomodar as crianças mais sensíveis aos sons, uma caraterística entre os portadores da Síndrome de Down.
 
As terapeutas ocupacionais Taísa Junqueira Prazeres e Marília Melo Andrade foram responsáveis pela direção geral do evento, com apoio das também terapeutas Rosemeire Costa e Mariana Lucas. “O objetivo é proporcionar aos nossos pacientes um momento para exporem suas qualidades através da leitura de um texto, de uma música, de uma dança, possibilitando transformar em arte as dificuldades”, disse Taísa. Incentivado por elas, Rafael Aylon, 4, que tem Down, imitou um passarinho batendo os braços como se fossem asas.

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