Libertei-me das armas ocultas de destruição.
Libertei-me dos deuses internos,
Quimera que espera a vida passar
Por entre as flores.
Libertei-me das marquises barrocas,
Do arcaísmo escancarado,
Escravo do precipício da atenção.
Sigo sem remorso, sem esperar o além.
Além disso, além daquilo, alentejo,
Além do bojador, além da dor,
Além de ser outro alguém.
Blasfêmia para os arautos da perfeição,
Para os cheios de pudores e rumores,
Disfarçados de eunucos do harém.
A vida é simples e sincera.
Só é vivo quem espera,
Só é triste quem trilha o caminho
Contrário da libertação.
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