Maria Lúcia Guimarães Ribeiro Alckmin, mais conhecida como Lu Alckmin, a mulher do governador Geraldo Alckmin, viveu, em abril de 2015, um dos momentos mais dolorosos da sua vida quando o filho mais novo do casal, Thomaz, 31 anos, morreu após a queda de um helicóptero em Carapicuíba, na Grande São Paulo. O acidente tirou também a vida de outras quatro pessoas. Para conseguir lidar com a perda, Lu Alckmin disse que transformou a dor que sentia em amor ao próximo. Com base nesse processo de superação, escreveu o livro Amor que transforma, lançado no dia 28 de outubro.
O livro trará, também, um pouco da história dessa mulher de 66 anos, atual presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo e mãe de Sophia e Geraldo, além de Thomaz, e avó de seis netos. Com ampla vocação para o trabalho social, Lu Alckmin começou a trilhar seu caminho na área ainda na década de 70, quando foi primeira-dama de Pindamonhangaba. Com Geraldo prefeito da cidade, Lu Alckmin participava ativamente das campanhas de arrecadação de fundos e era incansável no acompanhamento e ações das comunidades mais carentes. Era ela quem levava as informações sobre as principais necessidades da área social ao gabinete do prefeito. Posteriormente, quando o marido foi eleito deputado, seguiu o trabalho de assistência aos deficientes de baixa renda de Pindamonhangaba e região.
Em 1994, Alckmin foi eleito vice-governador de São Paulo, para o governo Mário Covas. Dona Lu, ao lado de Dona Lila Covas, atuou como voluntária do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, ajudando em projetos como as Casas da Solidariedade e o Jori (Jogos Regionais do Idoso).
Nos anos em que esteve à frente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, sempre como voluntária, Lu Alckmin priorizou projetos de qualificação profissional e geração de renda. Um dos mais importantes foi a Padaria Artesanal. Mais de nove mil unidades foram implantadas no Estado e 20 mil multiplicadores capacitados. Também foi responsável pela criação da Escola de Qualificação Profissional, com as Escolas de Moda, Beleza e Construção Civil, além de retomar o projeto da Padaria Artesanal. Na entrevista de hoje, ela conta um pouco dessa trajetória.
Entre as ações sociais realizadas em todos esses anos como primeira-dama, qual destacaria?
Como principais realizações do Fundo Social de Solidariedade do Estado, destaco a Padaria Artesanal e a Escola de Qualificação Profissional com as Escolas de Moda, Beleza e Construção Civil. São projetos que oferecem formação rápida e gratuita para pessoas desempregadas e que não só qualificam profissionalmente, mas também despertam os alunos para a descoberta de suas habilidades, promovendo o resgate da autoestima. A partir de 2012, inauguramos 56 Polos Regionais da Escola de Moda, 56 Polos Regionais da Escola de Beleza, 56 Polos Regionais da Escola de Construção Civil, além de mais de 600 Escolas de Moda e 400 Escolas de Beleza, na Capital, em entidades sociais; e no interior, em parceria com os Fundos Municipais. De 2011 até o momento, os cursos do Fundo Social capacitaram mais de 172 mil pessoas.
A senhora tem um grande envolvimento com moda, inclusive trazendo isso para os cursos que são desenvolvidos no Fundo Social. Como acredita que essa iniciativa pode mudar a realidade das pessoas?
O conceito do curso é o resgate de como nossas mães faziam a roupa em casa. Ensinamos que um pedaço de tecido pode ser transformador, tanto para a autoestima, quanto para consumo próprio, fazendo peças para a família ou para geração de renda.
Quais as principais dificuldades e desafios de trabalhar com a parte social em um Estado tão grande como São Paulo?
O desafio principal é fazer com que todos estes projetos cheguem ao maior número de pessoas possível em todo o Estado, o que temos conseguido realizar desde 2001, graças à parceria com as primeiras-damas e presidentes dos Fundos Municipais, no interior, e com as entidades sociais, na Capital. Além disso, para fazer todo este trabalho que já qualificou mais de 172 mil pessoas, temos como principal fonte de financiamento os recursos obtidos com o leilão de materiais inservíveis, da sucata e dos veículos da frota do Estado. Esta é a principal fonte, com que fazemos todos esses projetos. Não usamos dinheiro do Estado e é bacana perceber como com pouco se faz muito. Temos também parceiros que doam os kits de Padaria Artesanal, assim como para o projeto da Escola de Beleza.
É possível dizer quais as principais dificuldades em ser primeira-dama? Tanto a senhora, como primeira-dama, como o governador, mantém agendas com muitos compromissos. Como enfrentar essa rotina?
Não vejo como uma rotina pesada, mas, sim, uma oportunidade de ajudar àqueles que mais precisam. Acredito que em tudo que fazemos, temos que ser verdadeiros. E, principalmente, fazer aquilo que gostamos. Me sinto muito honrada em ser voluntária e presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo. O trabalho social faz parte da minha vida desde quando morava em Pindamonhangaba, antes mesmo do Geraldo (Alckmin) se tornar político. Hoje, ao realizar este trabalho grandioso no Fundo Social, com projetos que beneficiam milhares de pessoas em todo o Estado, me sinto realizada e feliz. Porque quando fazemos o bem, o maior beneficiado somos nós mesmos.
É fácil ser mulher de um político como o Alckmin, que vive uma rotina tão pesada na política?
Eu e Geraldo nos damos muito bem e compreendemos o ritmo de trabalho um do outro. Acima de tudo, tenho uma profunda admiração por ele e pelo amor com que desempenha seu papel de homem público. Admiro sua dedicação em servir à população do nosso Estado.
Como faz para conciliar a vida familiar e profissional?
Procuro conciliar o tempo entre a família e o trabalho voluntário no Fundo Social de Solidariedade sendo inteira em todos os momentos. Dedico-me a cada um deles de corpo e alma e com muito amor. Apesar dos meus filhos já serem casados, trabalharem e terem seus compromissos, sempre que possível estamos juntos, rodeados pelos netinhos. Os momentos em família são muito especiais.
Quais as metas para a área social neste resto de ano e também para 2018?
A nossa meta é continuar expandindo todos os projetos, facilitando o acesso da população a estas oportunidades, sempre na busca da qualificação profissional para que todos sejam protagonistas de suas vidas.
A senhora lançou, recentemente, o livro Amor que transforma. Do que trata a obra?
No livro Amor que Transforma, conto sobre o que aconteceu antes e depois da partida do meu amado filho Thomaz, como consegui passar por este momento difícil e transformar a dor em amor ao próximo. O trabalho que realizo também estará nas páginas do livro, assim como a Rota da Luz SP, um caminho que foi lançado em 2016 para atender os peregrinos que fazem a pé o trecho de 201 km de Mogi das Cruzes até Aparecida. Eu mesma percorri a Rota no seu lançamento em homenagem ao meu filho. Foi uma experiência inesquecível.
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