Após a morte da comerciante Núbia Ribeiro Duarte, 21, em setembro, Franca ficou diante de mais um caso assombroso de violência contra a mulher. Núbia, após ser esfaqueada, agredida e ter o corpo queimado por um casal de namorado um desempregado, passou a fazer parte de um grupo de mulheres que tornaram-se vítimas daqueles com quem um dia tiveram algum tipo de relação.
No caso da comerciante, um dos envolvidos é o auxiliar de mecânico Leonardo Gonçalves Cantieri, 20, com quem ela teve um breve relacionamento. Ele afirma que estiveram juntos enquanto estava separado da namorada, a estudante de Direito Lauany Viodres do Prado, 20. Segundo Leonardo, sua ligação com Núbia tinha sido encerrada há um tempo, mas, após uma briga com a namorada, algo frequente, de acordo com a polícia, no dia 23 de setembro, Leonardo convidou Núbia para sair.
A conversa se estendeu até a noite de domingo, quando ela foi encontrar Leonardo e não voltou mais. Seu desaparecimento desesperou a família. Após o encontro de seu carro na rodovia Nelson Nogueira, veio a localização de seu corpo, na terça-feira, na estrada da Seval, em Patrocínio Paulista.
Naquele momento, Leonardo e Lauany já eram procurados pela polícia. Eles teriam contado com a ajuda do desempregado Italo Vinícius Neves, 32 , para cometer o bárbaro crime. Os três estão presos. Lauany em Mogi Guaçu e os dois na Penitenciária de Franca. A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e, agora, os advogados têm dez dias para preparar suas defesas.
Violência
Núbia. Rosane. Etiene. Eloísa. Ana Cláudia. Amarinilza. Maria Cristina. Marcela. Cristiane. Os nomes e partes de suas histórias podem ser diferentes, mas as motivações para os crimes e seus destinos são semelhantes.
Essas mulheres morreram em Franca nos últimos anos nas mãos de seus ex ou atuais companheiros. Ciúme, separação e brigas constantes estão entre os motivos mais frequentes. Em alguns dos casos, drogas e dinheiro foram fatores que culminaram em seus assassinatos.
Além dessas nove, uma décima vítima também faz parte desse levantamento do Comércio dos dez casos mais chocantes de violência contra a mulher em Franca. Ela, por sorte, teve um destino diferente e está acompanhando de perto a punição de seu agressor. Trata-se de Juliana Proença, que levou seis tiros e ainda foi atropelada pelo ex-namorado, o motorista Donizete de Pádua, no estacionamento do hipermercado Tonin. O acusado, que está preso, irá a júri popular por tentar matar a ex e ainda acertar um tiro em outra mulher que estava no estacionamento. Seu comportamento, segundo a farmacêutica Maria da Penha Fernandes, que leva o nome da lei que protege mulheres da violência, é o de um agressor que não aceita o fim. “O homem tem a mulher como algo que lhe pertence, fruto de nossa cultura machista. Isso precisa mudar e as mulheres precisam de proteção da sociedade e do Estado. É necessário mudar essa cultura que carregamos”, disse.
Veja no quadro nove casos, além do de Núbia, de violência contra a mulher que impactaram Franca nos últimos anos.
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
• Juliana Proença, 37,
25 de abril de 2017
Inconformado com o fim do relacionamento de 20 anos, o motorista Donizete Luís de Pádua, 48, armou uma emboscada para a ex no hipermercado Tonin, no Jardim Redentor. Ele atirou seis vezes contra a vítima e ainda a atropelou no estacionamento. Donizete está preso e sendo processado por duas tentativas de homicídio, já que um disparo acertou outra mulher. As duas sobreviveram.
• Etiene Josefa Arruda Coelho, 33, 23 de fevereiro de 2016
Dois golpes de picareta mataram a dona de casa em sua chácara, no Parque Universitário. O principal acusado é o comerciante Carlos Eduardo Coelho, 35, marido da vítima. Em meio às investigações, a DIG obtive mensagens em que ela conta que queria se separar do marido. Ele, que nega o crime, foi indiciado e responderá em liberdade pelo crime de feminicídio.
• Maria Cristina Brito, 50,
2 de fevereiro de 2015
Diversos boletins de ocorrência registrados na DDM ao longo de quatro anos foram os indícios de que, um dia, uma tragédia aconteceria. A dona de casa foi assassinada com dois tiros pelo ex-marido, o aposentado Fábio José Natal, 67, porque ele não aceitava o término da relação. Após o crime, o homem fugiu para a Vila Nicácio e atentou contra a própria vida com a mesma arma.
• Rosane Berteli, 24,
8 de setembro de 2015
A bancária foi morta pelo ex-namorado Breno Helton Rezende, 34, em um estacionamento do Centro. Desde então, o caso segue na Justiça, trazendo dor à família, e sem uma punição para Breno. Isso porque, minutos depois de matar Rosane, ele deu um tiro na própria boca. Desde então, estaria em recuperação e com benefício da prisão domiciliar, sob alguns cuidados da família.
• Eloísa Cristina Francisco, 14,
9 de dezembro de 2011
O sapateiro Thayron Herivélton Ribeiro da Silva, 19, matou a tiros a ex-namorada e a avó dela, Euripa das Graças Borges, 57, no Jardim Portinari, há seis anos. Ele ainda feriu gravemente o pai da adolescente, o sapateiro Luciano Borges Francisco, 39, e se matou em seguida. Segundo o apurado pela polícia na época, Thayron não aceitava o término do namoro e era ciumento.
• Marcela Maria de Oliveira, 31,
26 de janeiro de 2015
Sentindo-se traída ao ver a ex-namorada com outra, a vigilante Elaine Cristina da Silva, 39, decidiu assassiná-la. A soldado Marcela foi morta com dois tiros no peito em uma rua do Jardim Paineiras. Segundo a assassina, o fato da vítima ter iniciado uma nova relação após terem rompido em dezembro do ano anterior, foi o motivo do crime. Ela foi condenada e cumprirá 12 anos em regime fechado.
• Ana Cláudia Abib, 40,
17 de novembro de 2016
Um bárbaro crime. Assim pode ser definido o que o pintor Denny de Queiroz Pires, 37, cometeu contra a namorada em uma casa do Jardim Guanabara. Ele manteve relações sexuais com ela, passou um bisturi em seu pescoço e, depois de matá-la, esquartejou seu corpo com um machado. Ele foi preso em dezembro e confessou o homicídio. Está preso e será levado a júri popular.
• Amarinilza Maria Custódio, 46,
26 de dezembro de 2016
A desempregada morava no City Petrópolis há sete meses com o namorado, Bernardino José Ribeiro, 65, e ele confessou tê-la matado na residência. A perícia constatou que o corpo apresentava sinais de violência. O homem disse que manteve relações sexuais com o cadáver da companheira e, na sequência, tomou banho e seguiu para um bar. Depois, chamou a polícia. Ele foi preso.
• Cristiane Ap. Rodrigues, 39,
18 de julho de 2016
Três facadas mataram a sapateira no Jardim Paulista, logo após a saída dela da fábrica onde trabalhava. Seu assassino é o ex-marido, o também sapateiro Fabiano Luis do Eterno, 39, de quem havia se separado há 10 anos. Ele fugiu, mas foi preso pouco depois no Jardim Piratininga. A motivação? Cristiane teria cobrado que Fabiano pagasse a pensão dos filhos. O acusado segue preso.
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