A audiência para ouvir os depoimentos das testemunhas no processo de cassação do mandato do prefeito Gilson de Souza, na Câmara Municipal, foi marcada pelas discussões entre o presidente da Comissão Processante, o vereador Adérmis Marini (PSDB), e o advogado de defesa Denílson Carvalho, que representa o prefeito. Denílson acabou abandonando o plenário da Câmara no meio dos depoimentos.
Antes mesmo de a primeira testemunha, o radialista Marcelo Bomba, ser ouvida, Adérmis e Denílson já haviam discutido. O estopim foi a definição da ordem em que as testemunhas, o denunciante e o denunciado deveriam ser ouvidos. Segundo Denílson, a ordem estabelecida pela Comissão não respeitava nenhum dos ritos previstos nos Códigos de Processo Penal e de Processo Civil. “Eu preciso que a Comissão defina para mim qual o rito ela seguirá para a oitiva das testemunhas. Essa ordem que os senhores estabeleceram não tem fundamento legal”, disse.
O presidente afirmou que garantiria o direito à ampla defesa, mas não especificou qual o rito a ser seguido nem justificou sua decisão.
A discussão se estendeu até que o jurídico da Câmara fosse ser consultado. A ordem estabelecida pela Comissão prevaleceu. “Essa Comissão é clandestina. Não tem fundamento legal e não respeita a lei”, esbravejou Denílson. À tarde, as discussões se acirraram. Toda questão de ordem apresentada por Denílson era imediatamente indeferida por Adérmis, muitas vezes, antes mesmo que o advogado conseguisse revelar do que se tratava.
Foi durante o depoimento do engenheiro Eri Pereira que a discussão chegou ao ápice. Denílson Carvalho questionou a Comissão sobre o fato de uma testemunha conversar com outra. “O próprio Fabrício admitiu que assistiu ao depoimento da Aline. Não houve preservação da incomunicabilidade das testemunhas. Peço que o depoimento dele seja dispensado.”
O pedido foi indeferido pelo presidente. Denílson pediu que Adérmis justificasse sua decisão, mas ele não o fez.
O advogado, então, ameaçou deixar o Plenário caso a Comissão insistisse em questionar a testemunha sobre fatos alheios à denúncia. “Se a linha de questionamento for essa, eu vou me retirar, porque não serei o palhaço deste circo.”
Ao iniciar os questionamentos, Adérmis perguntou sobre a aprovação do loteamento realizado pela Construtora Pacaembu. Denílson então pediu a palavra: “Eu me retirarei do plenário porque não reconheço essa Comissão. O senhor indeferiu todos os meus questionamentos. O senhor cometeu abuso de poder. Eu me retiro e não reconheço essa Comissão Processante.”
Denílson deixou o plenário e não retornou. Adérmis seguiu com a oitiva do engenheiro. “Mesmo o advogado tendo saído, eu já determinei que sejam cedidas a ele as gravações do depoimento.”
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