Para onde irão correr os tucanos?


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PSDB CAI DO MURO E ABRE CAMINHO PARA UMA DIVISÃO INTERNA INCONTORNÁVEL
Os últimos lances da política brasileira trazem indícios de que as eleições do próximo ano serão muito mais movimentadas do que se imagina atualmente. A esperada polarização entre Lula e Bolsonaro pelo Palácio do Planalto pode nem acontecer caso o primeiro tenha confirmada a sua prisão em segunda instância. Aí, “ficha suja”, ficaria impedido de concorrer. Pelo que vem acontecendo com o Partido dos Trabalhadores nos últimos anos por causa da investigação da Lava Jato, dificilmente conseguiria se eleger, pior ainda um “poste” (como aconteceu com Dilma Rousseff e Fernando Haddad). Além disso, podem aparecer nomes (além dos óbvios Geraldo Alckmin, João Dória e Marina Silva) com força para conseguir se destacar. Ciro Gomes (PDT) e Álvaro Dias (Podemos) surgem como grandes apostas.
 
Partidos envolvidos com os esquemas de corrupção que sangraram os cofres da Petrobras e de outras instituições públicas ainda apostam na visão de que o eleitor “engole’ sempre as mentiras e desmentidos vazios de convicção: hoje, o brasileiro está mais antenado e ligado nas informações que vêm de Brasília. Por isso, não adianta apenas trocar o nome das agremiações partidárias ou então insistir num discurso forçado de que a luta contra a corrupção é o objetivo de todos, quando se sabe que a maioria dos políticos utilizou por anos a prática sórdida de avançar nos cofres públicos, ignorando as mazelas que ainda prejudicam a saúde, o ensino e a vida da maioria dos brasileiros.
 
Hoje, no centro do furacão, está o PSDB. As questões do partido, que já governou o País nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso e praticamente domina o governo do Estado de São Paulo há pelo menos três décadas, pontuam os noticiários das últimas semanas. Conhecida por sempre se manter em cima do muro, a legenda hoje está dividida e, o que é pior, por causa de uma tomada de posição. O tucanato rachou por causa da posição de alguns de seus integrantes de alta plumagem que defendem o governo de Michel Temer (PMDB) o qual integram. 
 
O senador Aécio Neves, gravado pedindo propina ao empresário Joesley Batista, da J&S, afastou o deputado Tasso Jereissatti do comando da legenda e colocou no lugar um aliado, Alberto Goldman. Parte dos tucanos esperneou imediatamente, já que considera que Aécio agiu sob a influência do peemedebista Michel Temer — cujo apoio permitiu que o senador mineiro se livrasse de uma sentença do STF (Supremo Tribunal Federal) que o afastava do mandato. Pelo que se tem visto, até outubro do ano que vem muita água ainda deve passar debaixo da ponte antes que se definam candidatos, preferências e decisões judiciais. Hoje, a expectativa é saber para onde correrão os tucanos. E amanhã?

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