Para eles, 'é dando que se recebe'


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ENQUANTO INSTITUIÇÕES PÚBLICAS FOREM USADAS COMO FEUDOS BRASIL NÃO CRESCE
O brasileiro ainda espera que a nossa classe política passe a encarar um cargo eletivo como um dever. Nos últimos tempos, as inúmeras notícias dando conta de esquemas fraudulentos, conchavos e corrupção disseminada, com a prisão de prefeitos e ex-prefeitos, ex-deputados e ex-senadores, além de ex-ministros de Estado, dão bem uma mostra de como as coisas funcionam por aqui. A frase bíblica “é dando que se recebe”, desvirtuada, passa a pautar as ações daqueles que estão no poder e os que, na verdade, teriam a missão de trabalhar em favor de seus eleitores e dos contribuintes, os quais lhes garantem os salários e benefícios que há muito já deveriam ter sido reduzidos para aliviar um pouco a pressão sobre a maioria da população brasileira.
 
O brasileiro considera que alguma coisa precisa ser feita para que ocupantes de cargos públicos respondam criminalmente pelos seus maus feitos. Enquanto as instituições como Senado, Câmara dos Deputados e Legislativos espalhados pelo País continuarem sendo usadas como feudos pessoais de seus integrantes, dificilmente será possível extirpar o principal cancro que atinge o setor público no Brasil: a corrupção. Então, é necessário que donos de mandatos e servidores de todos os níveis contem com um estatuto que, antes de tudo, premie a competência e puna a imoralidade e a ilegalidade com o mesmo rigor.
 
O Brasil não suporta mais acompanhar o revoltante esquema de compra de apoios utilizando-se cargos comissionados e posições de mando em ministérios e empresas estatais. Esta situação não combina com a moralidade administrativa que se espera da classe política. Para se ter uma idéia, a corrupção sozinha vinha custando para o Brasil cerca de R$ 200 bilhões por ano. Junte-se a isso o custo da sonegação de impostos (R$ 500 bilhões anuais) e chega-se a uma soma capaz de melhorar de forma inapelável os serviços prestados pelo Poder Público à população.
 
Deve-se ressaltar que, há poucos dias, a Câmara dos Deputados aprovou um Refis (Refinanciamento de Dívidas) que beneficia dezenas de parlamentares integrantes da bancada ruralista, perdoando-lhes dívidas com o Fisco, causando mais um rombo nos cofres públicos. Muitos “penduricalhos” em projetos criam maiores despesas. Mas quando é necessário o corte de despesas para equilibrar as contas do governo, corta-se no salário mínimo, aumentam-se impostos e criam-se taxas, mantendo-se benesses e vantagens que elevam os vencimentos dos parlamentares. A partir do momento em que se punir exemplarmente todos os integrantes da cadeia da corrupção, ativa e passiva, é que definitivamente ficaremos livres desta praga.

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