BRASILEIRO NÃO PODE SER SUBMETIDO À AFLIÇÃO QUANDO BUSCA ATENDIMENTO
Nos últimos dias, Franca vem acompanhando, sensibilizada, o drama do pequeno Pedro Gael França Santuci Vieira, hoje com pouco mais de 4 meses. Aos 40 dias de vida, em agosto, ele foi hospitalizado na Santa Casa de Franca com perda de peso, inchaço na barriga e vômitos. Desde então, foi submetido a duas cirurgias para a retirada de 70% do intestino. E o que é pior: ele aguarda transferência para hospitais com maiores recursos, uma vez que até o momento os médicos que o atendem não chegaram a um consenso quanto ao diagnóstico que mantém o garotinho internado. O impasse é semelhante ao vivido por Luiz Otávio, que foi transferido na segunda-feira, 6, para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, após grande repercussão do caso. Tanto Pedro quanto Luiz tinham seus documentos parados na Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) do Estado de São Paulo. O órgão é do governo estadual e define para onde vão pacientes internados na rede.
São fatos como este que expõem a desumanidade com que é tratado quem depende da saúde pública brasileira. Além das falhas no gerenciamento do Cross, os desvios de verbas públicas têm grande responsabilidade pelo que acontece hoje: hospitais sucateados, equipamentos obsoletos ou danificados e doentes espalhados por corredores e enfermarias inadequadas. Especialistas garantem que o orçamento destinado à saúde pública no País não é suficiente, mas é adequado para melhorar a qualidade do atendimento. Porém, como em todos os setores da administração pública brasileira, gasta-se mal. A ingerência política é um entrave para que se melhore de forma significativa a rede de hospitais e ambulatórios destinados ao atendimento de quem não tem condições de arcar com os custos de um plano de saúde particular. O fatiamento da máquina pública entre políticos aliados ao governo acaba por sobrepor os interesses particulares ao bem comum.
A falta de fiscalização dos investimentos em todos os setores, mas principalmente na saúde, permite que haja discrepâncias absurdas entre as verbas destinadas e o serviço efetivamente prestado. Enquanto não se buscar uma maior eficiência no gerenciamento da Saúde Pública não será possível apresentar um serviço de qualidade. Além disso, a fiscalização rigorosa dos recursos aplicados e o acompanhamento minucioso dos procedimentos médicos também serão capazes de pelo menos mudar o quadro registrado agora, quando pacientes que contribuem para o financiamento do atendimento morrem à míngua, à espera de um serviço digno e com qualidade mínima. O que não pode perdurar é a constatação de que famílias acompanham a agonia de seus entes queridos à espera de atendimento médico.
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