Boas práticas?


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A Secretaria Municipal da Educação de Franca realiza esta semana o seminário Boas Práticas no Ensino, que abrange uma série de atividades pedagógicas para tornar as aulas mais atrativas. A programação de ontem contou com palestra da educadora Cleuza Rodrigues Repulho. A escolha provocou a revolta dos professores.
 
Cleuza veio a Franca falar sobre a Base Nacional Comum Curricular, documento que traz o conteúdo que deverá ser ensinado em todas as escolas do País. Para os educadores de Franca, a palestrante não seria a pessoa mais indicada para ensinar boas práticas. Uma simples busca no Google ou, se preferirem, no site do Tribunal de Justiça revela que ela tem alguns problemas com a Justiça.
 
Cleuza foi secretária de Educação no governo de Luiz Marinho (PT) em São Bernardo do Campo. Entre os processos que responde, é ré em ação civil pública ajuizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de ABC, acusada de desvio de recursos públicos e formação de quadrilha. Segundo os promotores, ela teria participado de um esquema que superfaturou em pelo menos R$ 4 milhões a compra de tênis e mochilas a alunos da rede pública. O Gaeco chegou até a pedir prisão preventiva dela, o que foi negado pela Justiça.
 
Ao tomar conhecimento da ficha da palestrante, a Prefeitura cogitou a hipótese de cancelar a palestra, mas não havia mais tempo. Antes de subir ao palco, Cleuza foi questionada sobre as acusações pelo secretário de Educação de Franca, Edgar Ajax. Disse que não há condenação contra ela. Foi orientada a não falar sobre os processos e se ater apenas ao tema. Ajax admite que foi um erro de estratégia trazê-la. Professores ameaçaram boicote, mas a presença era obrigatória.
 
A Prefeitura afirma que não pagou pela palestra. Mas arcou com as despesas de passagens aéreas. Não é ilegal, mas é imoral. Desgaste desnecessário e munição para a oposição, que poderiam ter sido evitados.
 
Pacto rasgado: Quando Marco Garcia (PPS) foi eleito presidente da Câmara em janeiro deste ano, ficou acertado com o grupo que o apoiou que seu vice, Claudinei da Rocha (PSB), seria o presidente no ano que vem. Acontece que Donizete da Farmácia (PSDB), que integrava o grupão de Marco, decidiu se candidatar para as eleições que serão realizadas na primeira semana de dezembro. Hoje, ele soma pelo menos nove votos e deverá ser eleito. Se confirmado, será uma vitória do governo que desbancará a oposição do comando da Câmara. Embora filiado ao PSDB, Donizete tem votado a favor do prefeito.
 
Edson Arantes
Jornalista
edson@comerciodafranca.com.br

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