O estudante Luan Gabriel Nogueira de Souza, 14 anos, foi morto com um tiro na nuca por um policial militar em uma viela da rua Paraúna, no Parque João Ramalho, em Santo André (ABC Paulista), às 15h de domingo (5). A família do estudante afirma que ele foi assassinado pelo policial.
Os dois PMs que participaram da ação disseram no 2º DP de Santo André que avistaram "diversos indivíduos" desmontando uma moto furtada na viela 7 da rua Paraúnas. Na versão dos policiais, o grupo fugiu ao ver o carro da PM se aproximando, deixando a moto no local.
Em seguida, um homem aparentando 20 anos atirou com um revólver calibre .38 contra os policiais, que revidaram. Um dos PMs atirou três vezes, e um disparo atingiu Luan, que morreu no local. Logo depois, dois jovens, de 18 e 21 anos, foram detidos perto dali, mas acabaram sendo liberados. A moto foi apreendida. Os suspeitos fugiram, diz a PM.
Um amigo de Luan que estava com ele dá uma versão diferente. Segundo ele, os dois estavam indo comprar um pacote de bolachas em uma mercearia, quando viram dois amigos montados na moto, e pararam para conversar com eles. "Aí veio o PM lá da Paraúnas dizendo "perdeu, perdeu" e que era para gente não se mexer, mas saiu todo mundo correndo. O policial deu um tiro para o alto e mais dois para frente, e acertou o Luan."
Um morador confirma a versão. "Ele deu três tiros e acertou o menino. Depois, eles pegaram os dois da moto e no carro da PM ficaram dizendo 'o moleque morreu por causa de vocês' o tempo todo", afirmou.
"A PM assassinou meu filho, que era um menino doce, nunca fez nada de errado", disse a costureira Maria Medina Costa Ribeiro, 43 anos. A família diz que foi maltratada pelos PMs e que não foi atendida pela Polícia Civil e pelo IML de Santo André. "Os PMs nos xingaram, chamaram meu irmão de ladrão. E no 2º DP não quiseram nos ouvir", Lucas Nogueira de Souza, 23 anos.
OUTRO LADO
A reportagem questionou a SSP (Secretaria Estadual da Segurança Pública), do governo Geraldo Alckmin (PSDB), sobre as versões dos moradores a respeito da ação da Polícia Militar e também sobre as acusações da família contra a PM e a Polícia Civil (como o tiro para o alto e os dois tiros para o grupo que correu do policial).
Até a publicação deste texto, porém, a secretaria não havia respondido aos questionamentos.
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