SEM MUDANÇAS NO CÓDIGO PENAL, SITUAÇÃO PODE FICAR AINDA PIOR
Reportagem do Comércio na sua edição de domingo (confirmando os números do País, divulgado na semana passada) mostram que estamos vivendo o recrudescimento da violência, onde a vida humana está valendo cada vez menos diante dos homicídios registrados nos primeiros meses deste ano. Segundo a matéria, baseada em levantamento junto aos órgão de segurança, Franca registrou recorde de assassinatos na década: de janeiro a outubro de 2017 a cidade apresentou um alarmante índice: até agora, foram 23 homicídios. Destes, apenas sete ainda não foram esclarecidos pelo Setor de Homicídio e Proteção à Pessoa da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Nesses 304 dias, os moradores de Franca e da região, além da polícia, acompanharam crimes causados pelas mais variadas razões: brigas no relacionamento, ciúmes, drogas, dívidas, desavenças em bar e até problemas em família. Das mortes, 13 pessoas foram assassinadas a tiros, duas a pauladas e sete a facadas. Há ainda uma ainda por causas desconhecidas.
A situação, que se repete em todo o País, e coloca em pauta a discussão sobre o Código Penal Brasileiro, uma peça da década de 40 do século passado (ou seja, de 70 anos atrás, quando a conjuntura era outra). Ao longo dos anos a legislação foi recebendo remendos que acabam tornando a Justiça brasileira lenta e, principalmente, leniente. Hoje, permite que infratores consigam não apenas protelar o cumprimento das penas assim como reduzir artificialmente as condenações originais. O contrassenso da legislação penal brasileira fica patente quando se sabe que é considerado mais grave matar um passarinho do que uma pessoa. Caçar ou matar animais silvestres, no Brasil, é considerado crime hediondo e inafiançável: o autor é preso inapelavelmente. Mas matar um ser humano não. Só há prisão em flagrante ou se a Justiça determinar. Caso contrário, o assassino continua solto. O que se espera, acima de tudo, é que a Justiça seja realmente exercida em toda a sua plenitude.
Não se faz aqui a defesa dos que atentam contra a fauna brasileira. Mas não se pode admitir que a vida humana valha tão pouco. Até acusados de crimes de menor poder ofensivo — e aí se envolvem pequenos delitos ou falta de pagamento de pensão alimentícia — amargam penas severas, de contenção de liberdade. Enquanto se colocar como culposos crimes que claramente são dolosos — com a intenção de matar — continuaremos a conviver com esta situação. Não se pode mais admitir um Código Penal omisso em alguns casos e extremamente rigoroso em outros. A reforma da legislação é urgente e precisa ser atacada de forma corajosa. Do contrário, a situação só tende a piorar.
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