Com perda diária de peso, bebê aguarda vaga no HC de RP


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Josiane Davanço França, 30, e Marcos Paulo Santuci Vieira, 28, seguram a cadeirinha do filho Pedro Gael, internado na S. Casa
Josiane Davanço França, 30, e Marcos Paulo Santuci Vieira, 28, seguram a cadeirinha do filho Pedro Gael, internado na S. Casa
O primeiro filho do casal Marcos Paulo Santuci Vieira, 28, e Josiane Aparecida Davanço França, 30, veio ao mundo em 4 de julho de 2017. Com ele, muita felicidade à família que mora no Jardim Cambuí, zona Norte de Franca. Todo o enxoval e o berço foram montados para receber o pequeno Pedro Gael França Santuci Vieira, hoje com pouco mais de 4 meses. Mas a alegria durou cerca de 40 dias e deu lugar à angústia e tristeza. Pedro acabou sendo hospitalizado na Santa Casa de Franca no final de agosto com perda de peso, inchaço na barriga e vômitos. Desde então, seu quadro não evoluiu. Foram duas cirurgias, até agora, para retirada de 70% do intestino, mas a indefinição do diagnóstico continua. 
 
“O médico fez a incisão, saiu um líquido verde e fezes. Estava todo necrosado”, disse o pai, ao falar sobre uma das cirurgias. A família quebrou o silêncio e revelou o caso, logo após o GCN retratar a história de Luiz Otávio Mendes da Silva, de quase 2 meses, na última quarta-feira (leia texto nesta página). 
 
“Ele está na UTI (há um mês). No momento ele está estável, o caso dele é grave. Os médicos dizem que o que podem fazer por ele, já fizeram. A partir de agora, ele precisa ser transferido para um hospital com melhor recurso que a Santa Casa. A médica liga todos os dias no HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão Preto e de São Paulo, e a vaga não está sendo liberada”, disse a operadora de caixa Joseane França, mãe de Pedro Gael. O garoto vive com uma bolsa de colostomia. 
 
O impasse no caso de Pedro é semelhante ao de Luiz Otávio, que foi transferido nesta segunda-feira, 6, para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, após grande repercussão do caso. Tanto Pedro quanto Luiz tinham seus documentos parados na Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) do Estado de São Paulo. O órgão é do governo estadual e gere para onde vão pacientes internados na rede. 
 
Segundo relatório assinado pela médica Tatiana Maia Borges Campos, que cuida do menino, o nome de Pedro foi inserido na Cross no dia 20 de outubro, quase dois meses após a primeira internação. “Paciente inserido com a finalidade de corroborar possível hipótese diagnóstica de fibrose cística, visto que neste serviço não há meios para diagnóstico”, diz o documento. 
 
Sem diagnóstico preciso, o menino vem sofrendo diariamente, segundo os pais. Dos 3,3 quilos que nasceu, chegou ao fim de semana, quando completou quatro meses, com 2,8 quilos. Sua alimentação é parenteral, e seu organismo pouco absorve os nutrientes necessários. 
 
Com medo, os pais procuraram a Defensoria Pública para tentar agilizar a vaga no Hospital das Clínicas. “Dois meses internado e não consegue nada. Eu peço ajuda. A gente já não aguenta mais. Eu fico todo dia com ele. Desejo muito que ele fique com a gente aqui em casa. Está muito difícil. A gente se sente impotente de tentar ajudar fazer alguma coisa e não conseguir”, disse Josiane. “Eu olho pra ele e dá impressão que ele está pedindo socorro: ‘Papai, me socorre’”, disse Marcos.
 
 
Respostas
Com base nas informações dos pais e no relatório assinado pela médica, o GCN procurou a Santa Casa. Até por volta das 16h15 desta segunda-feira, 6, o hospital não havia se pronunciado sobre o caso. 
 
No final da tarde, a Secretaria de Saúde do Estado afirmou que Pedro Gael continua “em regulação” pela Cross. Segundo a assessoria de imprensa, é aguardado um parecer do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto para saber se será disponibilizada uma vaga para receber ou não garoto. 
 
Promotoria
O promotor de Justiça Murilo Lemos Jorge foi informado na tarde desta segunda-feira, 6, sobre o caso de Pedro Gael. Em consulta no sistema, foi encontrado um requerimento da Defensoria Pública solicitando ao Ministério Público a abertura de uma ação visando a transferência do bebê para o HC. Com imagens da criança em mãos, o promotor afirmou que vai protocolar a ação, pedindo urgência no caso.
 
Luiz Otávio é transferido para Ribeirão
A história do pequeno Luiz Otávio Mendes da Silva, de apenas um mês, ganhou repercussão logo após a divulgação do caso. Com a barriga muito inchada, a família também havia enfrentando uma grande batalha para tentar diagnosticar o problema. Sem sucesso na Santa Casa de Franca, o menino teve uma vaga pedida no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Na última quarta-feira, 1º, veio a resposta. Ele seria encaminhado ao HC nesta terça-feira, mas a transferência foi antecipada para ontem. 
 
O promotor Murilo Jorge havia ingressado com uma ação na Justiça pedindo velocidade no caso. No sábado, 4, com informações de que garoto seria levado já na segunda, a juíza de plantão indeferiu o pedido.
 
De acordo com os familiares de Luiz Otávio, o menino foi levado nas primeiras horas da manhã dessa segunda.

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