Durante duas décadas, Helinho Garcia brilhou nas quadras como armador. Mas, desde maio de 2016, está seguindo os passos de seu pai, Hélio Garcia, e tornou-se o comandante da equipe do Sesi Franca Basquete. Em seu primeiro NBB (Novo Basquete Brasil), a equipe de Franca fez sua melhor campanha das últimas cinco temporadas, conquistando o terceiro lugar e chegou às quartas-de-final, quando foi eliminado pelo Paulistano.
Na atual temporada, após uma final de Campeonato Paulista, o Franca ostenta 19 vitórias em 25 jogos. Novamente o algoz foi o Paulistano que, na última quinta-feira, conquistou o título em solo francano e com um Ginásio Poliesportivo lotado. Mas isso não parece ser uma grande preocupação para o treinador, que diz estar completamente focado no NBB e satisfeito com tudo que o Franca apresentou desde que ele assumiu o time.
Helinho é um dos responsáveis por resgatar na população francana o orgulho e amor pelo basquete. Prova disso é o apoio da torcida que, segundo ele mesmo, é um exemplo para as torcidas do País. Com um misto de atletas experientes e jovens, ele diz estar satisfeito com o trabalho realizado até aqui e que a chave para ser um dos destaques do próximo NBB, que começou neste fim de semana, é a busca por consistência em jogo.
Além disso, o técnico acredita que ter um grupo de atletas unidos e com o mesmo astral e vibração é o diferencial do equipe hoje. Sentado nas arquibancadas do Poliesportivo, ele falou com a reportagem do Comércio sobre a decisão do Paulista 2017 e os próximos passos da equipe do Sesi Franca Basquete.
Helinho, a equipe veio de uma ótima campanha e acabou derrotada em casa. O que faltou para ganhar o título?
O Paulistano chegou mais inteiro atleticamente falando. Eles tinham o time inteiro à disposição e tiveram mérito. Nós não contamos com o Rafael Mineiro, por exemplo, e o Alexey não estava 100% fisicamente para os jogos. A equipe do Paulistano teve um percentual acima da média de acertos de cestas de três pontos e isso contribuiu para as suas vitórias. Não acho que faltou algo. Chegamos a superar a falta de alguns jogadores lesionados e outras dificuldades ao longo da competição e alcançamos a grande final. É um time que está treinando junto há três meses e que, taticamente e defensivamente, tem muitos detalhes para melhorar.
Críticas foram feitas sobre o grande número de falhas na defesa da equipe. Você acha que errou na forma de armar defensivamente o grupo em quadra?
A defesa sempre tem que melhorar. Quando jogamos contra o Bauru, tivemos uma defesa que considero excelente. Já nos jogos contra o Paulistano, como se trata de um time com vários jogadores com características de arremesso, é mais complicada a marcação. Até tentamos, mas ainda precisamos melhorar muito nossa defesa. Esse sempre foi o foco da equipe de basquete francana em toda a sua história.
Por ser uma equipe com muitos jogadores novos, o fator psicológico pode ter dificultado a ação deles em quadra?
Acho que o fato deles serem mais novos não interferiu. O título foi mérito do Paulistano que, no momento decisivo da partida, conseguiu ter o melhor aproveitamento e contava com uma equipe completa.
Há um tempo, o torcedor nota que o Franca sofre alguns “apagões” e parece perdido em quadra, oscilando em momentos bons e ruins. E isso não foi apenas contra o Paulistano, acontece em quase todo terceiro quarto. Como você consegue explicar isso?
Não enxergo dessa forma de “apagões”. São circunstâncias da partida. Na verdade, o que acontece é que os dois times tiveram apagões. No primeiro jogo, eles abriram vantagem de 16 pontos e nós buscamos e tivemos a bola do jogo em nossas mãos. No segundo, estávamos ganhando de 20 pontos e eles buscaram. Lá, chegamos a abrir 27 e eles conseguiram chegar. No penúltimo jogo, abriram 14 e nós fomos atrás.
No último NBB, a eliminação do Franca foi pelo Paulistano e agora perdemos do mesmo rival. Qual a diferença que você vê da equipe eliminada no NBB passado e da que perdeu o título na quinta-feira?
O maior crescimento da equipe foi chegar à final do Paulista. No último NBB, tínhamos um time muito mais enxuto. E este ano, nosso plantel está bem mais numeroso. O fato de participar da final tem toda uma energia prazerosa e já faz toda a diferença.
O NBB começou. Como levantar uma equipe que foi derrotada em casa e que já estreia em uma nova competição quatro dias depois (nesta segunda-feira)?
Na verdade, não tem o que ser levantado. Fizemos um brilhante começo de temporada e conseguimos chegar à final. Agora, já estamos motivados para começar bem o NBB mesmo com possíveis desfalques. Sabemos que não podemos contar com o Jefferson, que tem que cumprir uma suspensão de quatro jogos que ele pegou no ano passado pelo Bauru, e terá que cumprir este ano. O Rafael Mineiro está lesionado e deve ficar afastado mais quatro jogos para se recuperar por completo. Além disso, o Alexey ainda passará por uma avaliação por conta da lesão no pé. Sabemos da importância do NBB e de como precisamos chegar bem aos playoffs. Pretendemos continuar crescendo.
Qual seu maior objetivo para o NBB desta temporada? O Franca é favorito ao título?
Quero que a equipe ganhe consistência em quadra. Para isso, precisamos de uma defesa bem postada e mais forte, um contra-ataque mais eficaz e com maior desprendimento, onde os jogadores aumentem seu volume de jogo. Consistência é a palavra-chave para nós hoje. Porque temos um crescimento em quadra, mas precisamos mantê-lo sem oscilar tanto ao longo do jogo. E, para mim, Franca está entre os favoritos, ao lado de Mogi, Paulistano, Bauru, Pinheiros, Vasco, Flamengo, Vitória e Basquete Cearense.
No NBB, agora temos a experiência de jogadores mais velhos como Cipolini e Jefferson, e podemos contar com a firmeza do Léo, Mineiro e Coelho que são jogadores de nível de seleção. Como eles podem ajudar os mais novos?
Os mais experientes podem ajudar dando exemplo para os mais novos. São atletas aguerridos e que querem sempre crescer. Seja nos treinos ou nas conversas, isso é muito válido e incentiva. Foi uma coisa que buscamos este ano: ter essa mescla para acompanharmos a formação dos atletas mais novos. Isso é muito importante porque um acaba completando o outro, seja tatica e tecnicamente. É um crescimento mútuo.
Essa mescla de jogadores traz à tona uma sensibilidade maior. A gente vê que o time é muito unido e que você realiza um trabalho também fora das quadras. Sempre vemos você junto deles, uma coisa que seu pai também fazia. Como você acha que isso reflete em quadra?
É fundamental ter os jogadores unidos e com liberdade de conversar e falar o que pensam um para o outro sem melindre, de se conhecerem tanto nas alegrias e dificuldades. Foi o que fez a nossa equipe chegar à final. Esta temporada tem sido vitoriosa por causa dessa união e força do grupo. Aprendi com o meu pai e prezo por isso. O astral da equipe sempre deve estar na mesma vibração e energia para que possamos sempre ter um ajudando o outro da melhor forma possível.
O que você achou da postura da torcida no campeonato e da forma como incentivou o time mesmo perdendo?
A torcida é muito incrível. Os torcedores conseguem visualizar tudo o que está acontecendo em volta. Eles sabiam que o time do Paulistano estava mais inteiro e que nós batalhamos para chegar ao vice-campeonato. Foi importante chegar em uma final depois de tanto tempo e receber os aplausos. O mundo dos esportes já vem mudando, nos Estados Unidos, por exemplo, os jogos acontecem e, no final, são parabenizadas as duas equipes pelo espetáculo. A torcida de Franca é uma referência em relação a isso. Seja na conquista do título, no vice-campeonato, o torcedor francano mostra para o Brasil o quanto é importante a entrega, a dedicação e que o trabalho é consequência disso tudo. Estamos em processo de crescimento e para isso precisamos estar alertas para ter o resultado.
Você tem quatro jogadores da seleção na sua equipe. Como você enxerga o basquete nacional hoje? É realmente um dos esportes mais fortes do País?
Hoje temos o Léo, Jefferson, Mineiro e o Antônio que estão pré-selecionados para a seleção. O basquete nacional deve passar por um período de transição muito grande. Porque vários jogadores consagrados, de nível de NBA, que começaram lá em 2002, quando eu ainda jogava na seleção, estão no fim da carreira. E esses novos jogadores vão ter que trabalhar muito. Esse período de transição é muito delicado, mas acho que o basquete brasileiro está em uma fase de crescimento e esperamos que esse processo continue para a seleção poder buscar resultados melhores do que os que vêm obtendo, assim como nós do Franca.
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