LENIêNCIA DA JUSTIÇA AINDA PREJUDICA MILHARES DE PESSOAS A CADA DIA NO PAÍS
A esperança dos brasileiros por uma Justiça que realmente atenda os seus anseios, diante dos exemplos que temos a cada dia, por um bom tempo não vai passar disso: mera esperança. Quando temos um parlamento dominado por acusados de corrupção, um ministério integrado por gente que utiliza os cargos para locupletar e um presidente que todo o Brasil sabe ter relação íntima com elementos presos com a boca na botija (como os ex-assessores Geddel Vieira Lima e Rocha Loures), além de ter sido gravado numa conversa muito suspeita com um empresário preso por distribuir propinas a granel, recebemos lições de outros países. Neste sábado, o Reino Unido anunciou o afastamento de um deputado do Partido Conservador (governista) denunciado por assédio sexual. Além disso, mais 40 parlamentares da Câmara dos Comuns (incluindo alguns da oposição trabalhista) estão sendo igualmente investigados e podem ser afastados.
Não se viu, no episódio, ninguém do governo abrindo o cofre ou fazendo acordos para mantê-lo no cargo. A suspensão de Charlie Elphicke, que assegura desconhecer a natureza das alegações, amplia o escândalo por supostos casos de assédio sexual que afeta parlamentares de todos os partidos no Reino Unido e que na quarta-feira, 1º, motivou a demissão do ministro de Defesa. Na quinta-feira, 2, o deputado trabalhista Kelvin Hopkins, que também foi suspenso. Bem diferente do que acontece por aqui, com a certeza da impunidade provocada pela leniência de nossa Justiça que funciona a passos de tartaruga, principalmente quando envolve o poder econômico de empresas, instituições e indivíduos.
É o caso da tragédia de Mariana (MG). Enquanto a imagem de destruição dos três distritos atingidos pelo rejeito da mineradora Samarco (Bento Rodrigues, Paracatu e Gesteira) permanece viva na memória e nas antigas comunidades soterradas dois anos depois da tragédia de 5 de novembro de 2015, ainda não é possível vislumbrar nem as novas vilas a serem construídas para abrigar as vítimas. Nada saiu do papel. A Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton, além da companhia contratada VogBR e 22 pessoas, entre dirigentes e representantes, já respondem a um processo criminal pela morte das 19 vítimas. Nestes dois anos, ninguém foi preso ou responsabilizado por uma tragédia que, na época, já se dizia anunciada. Além do prejuízo material, que acabou completamente com os três distritos, ainda houve danos ambientais ao longo dos rios que cortam a região, atingindo até a costa do Espírito Santo. Ainda se espera pelo reassentamento das famílias atingidas, pela indenização, pelo rio límpido, cujas ações de reparo, complexas, enfrentam atrasos e obstáculos que desafiam os órgãos envolvidos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.