Em dez anos, Franca não registrava tantos assassinatos em tão pouco tempo. De janeiro a outubro de 2017, a cidade já bateu recorde e traz um alarmante índice: até agora, foram 23 homicídios.
Dos crimes, apenas sete ainda não foram esclarecidos pelo Setor de Homicídio e Proteção à Pessoa da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) que, anualmente, coleciona uma alta média de 80% de elucidação dos assassinatos. A dificuldade apontada pelos investigadores e pelo delegado Márcio Murari para atingir uma resolução ainda maior é a localização, já que 13 dos 23 casos aconteceram na zona Sul da cidade, onde impera a lei do silêncio. “As pessoas têm receio de colaborar com a polícia e sofrer retaliação. Mas, ainda assim, conseguimos esclarecer grande parte dos casos”, explicou Murari.
Nesses 304 dias, os moradores de Franca e da região, além da polícia, acompanharam crimes causados pelas mais variadas razões: brigas no relacionamento, ciúmes, drogas, dívidas, desavenças em bar e até problemas em família, como o assassinato do desempregado Anderson José de Assis, 38, cometido pelo próprio filho, o sapateiro Maicom Vital de Assis, 19.
Na ocasião, Maicom foi preso e alegou que desferiu as mais de 30 facadas no pai porque estava cansado de ver a mãe apanhar e sofrer nas mãos do pai. “Ou eu fazia isso ou ia assistir meu pai matando minha mãe. Sequer podia deixá-la sozinha em casa. Não tive outra alternativa naquele momento. Ninguém aguentava mais”, disse, após conquistar a liberdade provisória.
Perfil dos crimes
Das mortes, 13 pessoas foram assassinadas a tiros, duas a pauladas e sete a facadas. A única que ainda não teve desvendado o objeto utilizado para consumar o crime foi a do autônomo Luiz Antônio da Silveira, ocorrida em 11 de abril, na rodovia Nelson Nogueira, que liga Franca a Ribeirão Corrente.
Isso porque, duas semanas após seu desaparecimento, seu corpo foi encontrado completamente carbonizado e em pedaços no porta-malas de seu próprio Uno, também incendiado, fato que ainda não permitiu que a forma como ocorreu sua morte fosse descoberta. Os responsáveis também não foram identificados.
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