Para minha mãe Dilica (In memoriam)
as estrelas e a lua seguem com olhar de piedade
grupo de mães da baixada fluminense
perdido no labirinto da cidade
procurando desesperadamente seus filhos queridos
desaparecidos de repente
as estrelas e a lua viram tudo o que aconteceu
viram tudo e nada dizem
viram ódio correrias viram fuzis metralhadoras
viram manchas de sangue no chão
viram tudo e nada dizem às mães infelizes
no grupo caminha sem que ninguém veja
a mãe daquele que ensina há mais de dois mil anos
a união entre os homens
o amor entre os homens
e a humanidade ainda não aprendeu
o sofrimento que essas mulheres carregam nos ombros
é igual ao sofrimento de mães argentinas
que em praça de buenos aires levantam estandarte de indignação
pelo desaparecimento de filhos queridos
também tocai tambores das igrejas
rufai tambores dos terreiros
pelas mães desesperadas pelos filhos desaparecidos
pelos sonhos assassinados atrás da noite
pelos fatos sem solução na américa na áfrica no mundo inteiro
amém
(Este poema se encontra inserido no livrinho Poemas Escolhidos de Carlos de Assumpção que será lançado agora em novembro, Mês da Consciência Negra.)
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