Tropical mecánico: música argentina invade Franca


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Harmonia e afinação nas vozes, acordes carregados de emoção e alegria e sorrisos estampados nos rostos. À primeira vista, essas são as características mais notáveis do grupo Tropical Mecánico. Quando se olha com mais interesse, nota-se que, muito além de um quarteto vindo da Argentina, é possível perceber que o amor pela música fez com que se tornassem músicos itinerantes. Ou seja: eles viajam pela América do Sul em um ônibus com o firme e único propósito de difundir a cultura e levar sua arte para encantar as pessoas, vivendo de música.
 
Depois de Uruguai e Bolívia, chegou a vez do Brasil. Foram seis meses viajando pelo Sul do País, depois para os Estados da Bahia e Minas Gerais, o Tropical Mecánico chegou a Franca. 
 
Como o destino foi definido? “Pura sorte”, definiu Facundo Mazzulli, o Facu, um dos violonistas. O grupo estava em Lavras (MG) quando, durante viagem na semana passada, o ônibus onde viajam e moram há cozinha, quartos e até biblioteca repleta de livros estragou. Os músicos conseguiram consertá-lo e puderam chegar em Franca, onde permaneceram até a última quarta-feira antes de partir para a Bolívia.
 
Logo que o veículo parou no Centro da cidade, perto da praça Carlos Pacheco, Facu, o violonista Sérgio Díaz, o cantor Rodrigo Perez e a acrobata e instrumentista Lucía Isasi subiram a rua Simão Caleiro e, ao olhar para o lado, avistaram a Casa da Cultura e do Artista. Foi assim que uma das maiores aventuras e recompensa de suas vidas teve início, segundo suas próprias palavras.
 
Franca
Era uma tarde de sexta-feira quando os músicos entraram na Casa da Cultura e encontraram seu diretor, Elson Bonifácio, o Boni. “Não tive dúvidas de que deveríamos acolhê-los. São estrangeiros disseminando cultura em nosso País e trazendo sua arte. Decidi fazer algo por eles: além de fornecer alimentação e local para que tomassem banho, e, usando dinheiro do meu próprio bolso, tive uma ideia”, contou.
 
Ao ver o estado de conservação do ônibus, e sabendo da ideia de arte itinerante, Boni convidou artistas de Franca para grafitar o meio de transporte do Tropical Mecánico. Os grafiteiros Higor Ferrari, Vilson Donizete Messias, Peterson Leão e Maurício de Morais se uniram e customizaram o ônibus do grupo, deixando-o repleto de notas musicais e elementos que remetem ao seu “trabalho/amor/razão de vida”, como definiu Sérgio quando perguntado sobre o que a música representa e como é viajar pelo mundo fazendo música.
 
Durante o trabalho de grafite, que durou quatro horas, o Tropical Mecánico tocou na praça Carlos Pacheco. Demônios da Garoa, Gilberto Gil e diversos tangos fizeram parte do repertório, que mostrou que, no final do show, não importa nacionalidade, tampouco estilo: apenas e puramente a música.

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