Informalidade sustenta emprego


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Embora de forma mais lenta do que esperavam governo e especialistas, a queda do desemprego vem sendo gradual, permitindo acreditar numa retomada da atividade econômica estagnada há pouco mais de meia década. De acordo com o ministro Henrique Meirelles (Fazenda), essa “virada” só deve vir por volta de 2022, com o País readquirindo um cenário positivo, com plenos emprego e produção e redução no déficit das contas do governo. Atualmente, não há grandes indícios de que o setor produtivo esteja saindo da crise dos últimos anos. 
 
Segundo avaliação de economistas, a queda do número de desempregados no País, constatada pela última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), gerou a percepção positiva de que a ocupação tem avançado e acompanha o início da retomada econômica. Ainda assim, o perfil das vagas criadas, predominantemente informais ou autônomas, sugere que o caminho para uma recuperação satisfatória do mercado de trabalho ainda é longo e depende de maior intensidade na atividade econômica. 
 
A chegada de trabalhadores ao mercado pela informalidade vem predominando em relação à formalidade: da criação de cerca de 1,5 milhão de vagas em setembro na comparação com igual período de 2016, cerca de 1 milhão de postos se deve ao segmento por conta própria e 640 mil sem registro formal. Um dos motivos que levam a uma lentidão na retomada da atividade econômica é a alta carga tributária que pesa sobre as empresas brasileiras. O Brasil continua sendo o País onde as empresas gastam mais tempo para se pagar impostos, conforme levantamento feito pelo Banco Mundial. Com uma quantidade ímpar de documentos, taxas e leis, uma companhia nacional gasta 1.958 horas ao ano para quitar todas as suas obrigações tributárias. O tempo é seis vezes a média de 332 horas registrada nos países da América Latina e Caribe, de acordo com o último relatório Doing Business 2018. 
 
Caso não haja uma reforma tributária que torne a arrecadação de impostos e taxas mais justa, dificilmente as empresas brasileiras conseguirão retomar os empregos perdidos nos últimos dez anos e a produção estagnada há pelo menos cinco. É preciso coragem, determinação e vontade política para destravar este grande problema que obriga o setor produtivo brasileiro a trabalhar cinco meses do ano só para pagar impostos. A se continuar esta situação, continuaremos vendo nossa atividade econômica andando para trás. Além disso, o brasileiro de seus impostos reverta em serviços públicos com o mínimo de qualidade, deixando de seguir o caminho dos bolsos corruptos e fraudulentos.

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