Segundo noticiado na Internet, na Indonésia, principalmente entre os torajans, que habitam a ilha Sulawesi, há o costume de não se sepultar imediatamente o familiar morto, que é mantido dentro de caixão, em cômodo da residência, vestido com suas roupas habituais. O sepultamento, devidamente festejado, é decidido segundo as possibilidades financeiras dos familiares, o que pode requerer tempo que varia de uns poucos a muitos anos. Para se evitarem a decomposição do corpo e o desagradável odor, muitas ervas são utilizadas.
Igualmente estranho é o tratamento ocasionalmente dado ao morto, que é lavado e suas vestes trocadas, principalmente para receber visitas de parentes residentes em outros locais.
O costume presta-se também a atenuar, entre as crianças, o impacto do que seria dolorosa separação de entes queridos. A elas é ensinado que o parente está doente e dormindo. É verdade que não se pode questionar que, conservar o corpo depois da morte, parece servir para retardar o sofrimento pela perda efetiva do que, por certo, entendem seja convivência com pessoa amada.
Para nós, ocidentais, o costume se nos mostra muito estranho. Há de se ver, contudo, o seu lado positivo, qual o de afastar o aspecto trágico e lúgubre da morte, a par de facilitar a aceitação da desencarnação, sem o desespero e a inconformação que se veem em alguns velórios. O Espiritismo nos conclama a respeitar os mortos, mas, acima de tudo, ensina-nos que o espírito, que está fora do corpo morto, é que é a essência do ser e nunca morre.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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