Esta mulher que agora caminha supostamente segura, já retrocedeu inúmeras vezes, já fugiu na largada e deu meia-volta na chegada. Começou por diversas vezes, interrompeu por tantas outras, retomou de turrona, abdicou de insana, mas aprendeu por salvação.
Esta mulher aí que abre portas como se tivesse o mundo nas mãos, carrega sim, o coração no lugar na razão, mas a felicidade como um paradigma de redenção.
E agora no decorrer na vida, ela sente que vai se revestindo desta doce serenidade madura e desta lânguida beleza secreta lapidada em anos de descobertas.
Hoje ela é dona deste misterioso sorriso de lábios premeditadamente pintados, das ruguinhas repentinamente sexy e destes vestidos levemente esvoaçantes ao vento.
Nas tardes quietas quando observa lentamente o tempo passar, ela agora sente a sua alma gotejar como a chuva amiga que desponta no horizonte. E então se deixa embalar por um sentimento antigo que a eleva e a faz flutuar. E por dias e noites, segue em pensamentos por caminhos seculares que pertencem somente a ela e ao seu desejo irrefreável de felicidade.
E segue seu caminho se equilibrando em seus íngremes saltos, bamboleando sua autossuficiência petulante e deixando no ar uma imagem etérea feita de fogo e fome.
Ela sente que enquanto do nada a vida lhe trouxer esta brisa vespertina de alegrias já vividas, esta sensação de bem-estar sem motivo, esta paz de alguma vivência anterior ou esta harmonia que parece transbordar do coração, ela só terá a agradecer. Porque são estes curtos momentos de prazer que valem uma vida inteira.
E ela sente que o seu coração ficou para sempre perdido nas estradas floridas do caminho. Preso no perfume entranhado das folhas secas do outono.
Mas livre no voar das memórias de ida e volta, de sentimento e dor, mas sempre de muito amor.
E assim, nas esquinas da sua vida, ela caminha presa destas sensações de perdas e ganhos, de promessas descumpridas, de sentimentos distraídos, mas de liberdades garantidas...
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