Ainda o problema do ensino no País


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MAIS DA METADE DOS ALUNOS DO 3º ANO NÃO SABE LER, ESCREVER OU FAZER CONTAS
 
A necessidade de uma completa revolução em todas as séries do ensino no País, não apenas nas escolas públicas, fica cada vez mais patente. A urgência de um currículo comum adotado em todos os estabelecimentos do País fica clara diante dos dados da ANA (Avaliação Nacional de Alfabetização) realizada em 2016 e cuja prévia foi divulgada ontem pelo MEC (Ministério da Educação), demonstram que mais da metade dos alunos do 3º ano do ensino fundamental da rede pública têm nível de leitura e matemática considerado insuficientes. A prova avalia conhecimentos em leitura, escrita e matemática.
 
Na comparação com a última edição da avaliação, em 2014, a situação é de estagnação em leitura: enquanto 55% dos alunos estavam em níveis insuficientes de leitura em 2016, esse índice era de 56% em 2014. Em matemática, passou de 57% para 54% o percentual de crianças com desempenho inadequado. Mais de 2 milhões de crianças participaram da avaliação. Quase 90% dos estudantes possuíam 8 anos ou mais no momento da aplicação, ocorrida em novembro de 2016.
 
De acordo com a escala da prova em leitura, mais da metade dos alunos não teriam a competência de localizar uma informação explícita, situada no meio ou final do texto, em gêneros como lenda e cantiga folclórica. O MEC divide os resultados de desempenho dos alunos em leitura em quatro níveis (elementar, básico, adequado e desejável), sendo os dois primeiros considerados pelo MEC como insuficientes e os dois últimos, suficientes. Somente 13% dos alunos alcançam o patamar “desejável” — em 2014, eram 11%.
 
A média nacional esconde fortes desigualdades regionais. Mais de um terço dos alunos do Nordeste e Nordeste, por exemplo, ficaram posicionados no nível, considerado elementar. Na região Sul, são 12%. Somente oito Estados do país têm menos da metade dos alunos em níveis insuficientes. Minas Gerais apresenta a menor proporção de alunos nos níveis insuficientes, mesmo tendo resultados desfavoráveis: 38% dos alunos não conseguem ultrapassar o nível básico. São Paulo aparece com o terceiro melhor resultado, mesmo com níveis preocupantes: 41% dos alunos têm desempenho inadequado.
 
Em escrita, os dados de 2016 — que indica 34% dos alunos em nível insuficiente — não são comparáveis com a última avaliação de 2014, segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do MEC responsável pela avaliação. As diferenças regionais persistem nesse item. Enquanto no Norte e Nordeste, um quarto dos estudantes não passaram do nível elementar, esse índice na região Sul é de 6,35%. O mesmo comportamento de desigualdade é visto em matemática. Norte e Nordeste têm mais de um terço no primeiro nível, enquanto no Sudeste esse índice é de 15%.
 

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