Agora é oficial. Os três acusados de matar e queimar o corpo da comerciante Núbia Ribeiro Duarte, de 21 anos, foram indiciados e responderão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. E mais: tiveram suas prisões preventivas solicitadas à justiça.
No final da tarde de ontem, há exatamente um mês do crime, o delegado responsável pelas investigações, Márcio Garcia Murari, despachou o inquérito para o Fórum de Franca. Para ele, não há dúvidas de que o desempregado Italo Vinícius Neves, de 32 anos, a estudante de Direito Lauany Viodres do Prado, e seu namorado, Leonardo Gonçalves Cantieri, ambos de 20 anos, tiveram participações distintas na morte de Núbia. “Embora não falem diretamente o que fizeram, e jogaram a culpa um no outro, temos a convicção de que todos participaram da morte da jovem. Por isso decidi indiciá-los”, explicou Murari.
Ainda segundo o delegado, o trio foi indiciado por meio cruel, não ter oferecido chance de defesa à vítima e motivo fútil, já que Núbia teria sido morta em razão do ciúme que Lauany sentia da jovem com Leonardo, seu namorado. “Essa possessividade da Lauany, que notamos desde o princípio, e o ciúme, motivaram o assassinado e a forma brutal como a vítima morreu”.
Além do indiciamento, o delegado já solicitou a prisão preventiva dos envolvidos. Italo, que já está preso na Penitenciária de Franca por tráfico de drogas, não deve sair. Já Lauany e Leonardo, cujas prisões temporárias terminam na sexta-feira, também devem ficar na cadeia. Mudará apenas o endereço, já que Lauany pode ser transferida para o presídio feminino de Mogi Guaçu ou Ribeirão Preto. Leonardo também deve ser levado para outro sistema carcerário. Inicialmente, seus advogados não devem solicitar a liberdade provisória. Agora, cabe ao Ministério Público aceitar ou não o indiciamento dos três acusados e denunciá-los à Justiça.
O delegado Márcio Murari recebeu a equipe do GCN e falou sobre o desfecho do inquérito:
O delegado Márcio Murari recebeu a equipe do GCN e falou sobre o desfecho do inquérito:
O crime
Núbia foi encontrada morta no final de setembro na estrada da Seval, zona rural de Patrocínio Paulista. Segundo a polícia, a vítima, que havia desaparecido dois dias antes do crime, foi atraída por Leonardo para se encontrarem. Nunca mais voltou.
Durante as diligências e investigações, agentes da DIG capturaram Italo. Ele foi o responsável por apontar o caminho da estrada onde Núbia poderia ser localizada. Negou participação no crime e disse que era o responsável apenas por levar o Honda Civic da jovem até a rodovia Nelson Nogueira, onde foi localizado.
Depois, Italo foi além e deu o nome de Leonardo, que, àquela altura, já estava sob investigação por ter marcado encontro com a jovem. Ele e Lauany, considerada pela polícia a mentora do assassinato, fugiram e só se apresentaram à polícia quatro dias após o crime.
Da DIG, o casal e o comparsa foram direto para a cadeia. Durante o inquérito, a polícia ouviu cerca de 14 testemunhas. Familiares e amigos dos acusados, bem como de Núbia, prestaram esclarecimentos e auxiliaram na elucidação do caso.
Embora todas as evidências e oitivas do trio apontem que Lauany foi a responsável por desferir duas facadas no rosto de Núbia, o homem que deu os dois golpes em sua cabeça que causaram sua morte ainda não assumiram a culpa. Pode ser Leonardo ou Italo. Mas, para a polícia, isso já não importa mais. “Todos participaram do crime e precisam responder por isso”, disse Murari.
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