Estamos em mais uma semana difícil da vida política nacional. Nesta quarta-feira, a Câmara dos Deputados deve votar a segunda denúncia de Rodrigo Janot ao presidente Michel Temer. Os governistas garantem que vão ganhar com larga margem de votos e o presidente não será afastado. Mas há grande mal-estar em Brasília, principalmente envolvendo Temer e seu substituto legal, o deputado e presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Noticia-se que, a exemplo do ocorrido na votação da primeira denúncia, o governo está em franca negociação e liberação de benesses aos parlamentares.
Por conta dos atos de corrupção cometidos para o custeio das eleições passadas, apurados na Lava Jato e outras operações que atingiram frontalmente centenas de políticos e até já levou alguns à prisão, há uma corrida de reacomodação daqueles que buscarão a reeleição. Partidos estão mudando de nome e até se amoldando ao perfil de pré-candidatos que neles podem se filiar e concorrer. Querem se livrar da velha vestimenta manchada pelo lixo das más ações. É por isso que o eleitor deve ficar atento e, pelo menos, saber quem é o candidato em que pretenda votar, para depois não se arrepender.
O governo está parado e, ao que parece, perdeu a força e o tempo para fazer as reformas que propôs. Ficou ocupado em defender seus membros atingidos por denúncias e, com isso, não avançou. O mundo político conflagrado recorre demais ao Judiciário a ponto de judicializar perigosamente a vida política. De outro lado, Judiciário, pelas suas instâncias maiores, sofre questionamento quando não usa o mesmo rigor dos magistrados de primeira instância. Observa-se uma nação adoecida pela atividade equivocada de suas lideranças e até das instituições, e por um povo que parece não saber que direção tomar. É a verdadeira encruzilhada.
Infelizmente, nossa democracia, a mais longa da história brasileira, foi construída sobre bases que o presente demonstra não serem tão sólidas quanto o necessário. Temos vasto ordenamento jurídico e muitas instituições. Mas não cultivamos a tradição de cumprir as leis. Precisamos de um governo que governe, um legislativo que legisle e um judiciário que simplesmente julgue. Tudo o que se fizer além disso, será indevido e em nada contribuirá para o fim da crise.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo
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