Sobre ética e legalidade


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NEM TUDO O QUE É LEGAL É MORAL; SÓ ÉTICA PODE PAUTAR A DIFERENÇA
A política brasileira e a maioria de seus atores principais ainda não conhecem a diferença entre legalidade e moralidade. E que é pior: consideram muitas ações que causam indignação na população como ético, distorcendo o conceito e sua aplicação diária. Esta, sim, deveria ser obrigatória e pautar todas as ações dos ocupantes de cargos eletivos. Embora deputados e senadores legalmente contem com um plano de saúde que lhes permite até tratamento no exterior, à custa do dinheiro do contribuinte, a sua utilização não é pautada pela ética, quando milhões de brasileiros sofrem nos hospitais à espera de um atendimento urgente que pode demorar meses. E o que é pior: não pagam nem um tostão para este tratamento diferenciado num País onde milhões ainda não recebem salários capazes de cobrir as suas necessidades básicas.
 
Uma linha tênue separa a legalidade da imoralidade. Muitas ações podem até ser legais à luz dos códigos legislativos, mas são imorais. O que estamos vendo nos últimos anos é um claro exemplo desta situação. As revelações surgidas no processo da Lava Jato demonstram que a política brasileira é movida por ilegalidades, imoralidades e episódios nada éticos. Mesmo assim, estes mesmos políticos, acusados de corrupção, tentam aprovar leis que lhes permitam apagar todos os malfeitos anteriores. Além disso, em plena crise, ainda consideram legal e moral as benesses que seus cargos carregam, à custa do contribuinte, aumentando os gastos e avançando na arrecadação aprovando benefícios, como os Refis para a indústria e para o setor rural, os quais criam uma renúncia fiscal de mais de R$ 15 bilhões. E o governo estuda um reajuste do Imposto de Renda em índice abaixo da inflação para incluir mais contribuintes no bolo, além de anunciar um reajuste de quase 50% na taxa extra cobrada nas contas de energia elétrica.
 
Também a liberação de emendas para livrar o presidente Michel Temer (PMDB) de uma investigação sobre corrupção é revoltante. Deputados estão aproveitando este momento para sugar ainda mais os cofres públicos, irrigados com o dinheiro do contribuinte. É este tipo de imoralidade de nosso sistema político que deveria ser extirpada, já que prejudica as contas públicas e a conta acaba sempre sendo cobrada de quem paga impostos em dia e não contam com as bondades que os parlamentares aprovam para si e para seus amigos. Confundir o público com o privado, utilizando-se das vantagens que o cargo permite não é ético ou moral. Usar veículos oficiais para serviços pessoais também não. São por estas e outras que a classe política brasileira é mal avaliada. Enquanto não se mudar toda a relação destes entes públicos com retidão administrativa continuaremos a noticiar atos desabonadores que deixam o brasileiro indignado.
 

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