Brasil vai acabar com os corruptos?


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PAGAR PARA NÃO SER AUTUADO TAMBÉM É CONSIDERADO CORRUpÇÃO
 
Há pelo menos 40 anos, a Petrobras (ainda hoje a maior estatal brasileira, com atuação em diversos pontos do planeta) é conhecida como um antro de corrupção, utilizada para “fazer dinheiro” não apenas para partidos e agentes políticos, mas também para seus funcionários. O esquema que funcionou ali por décadas – e que desde 2014 vem sendo investigado pela Operação Lava Jato, levada à cabo pelas Polícia e Justiça Federal – já foi conhecido por “dezinho” (10% do dinheiro pago às empreiteiras que prestavam serviço à empresa ia para a corrução). Praticamente todos os contratos com a petrolífera eram superfaturados para a destinação de propinas a partidos, políticos, empresários e ‘operadores’.
 
Com o avançar das investigações, descobriu-se que o dinheiro jorrava de outros setores do governo, inclusive ministérios. Obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 também tiveram seus preços superfaturados, o mesmo ocorrendo com várias outras, de responsabilidade dos governos federal e estaduais. A corrupção endêmica tomou conta de todos os setores da vida pública brasileira. Os desmandos na Petrobras, utilizada como cofre particular de corruptos, trazem-nos a uma situação bastante clara: estamos pagando pelo que roubaram (e não restituíram), arcando com combustíveis caros, mesmo que o Brasil seja grande produtor de petróleo e dono da matriz energética do futuro, o etanol.
 
O brasileiro ainda não tem consciência da importância de seu voto. Prefere eleger corruptos, figuras folclóricas e até mesmo condenadas pela Justiça. O eleitor brasileiro não busca avaliar o peso de sua escolha e nem as propostas dos candidatos. Não quer “perder” o voto, como se a eleição fosse uma aposta ou um jogo. Além disso, vivemos cotidianamente com a corrupção e não nos incomodamos. Oferecer “uma cervejinha” para que um agente público faça vistas grossas a alguma infração tornou-se comum. Tornou-se normal tentar subornar um guarda de trânsito, uma autoridade policial ou um fiscal da Receita. O brasileiro se acostumou ao jeitinho, à “manha”, ao “cala-boca”. Corromper (e ser corrompido) tornou-se cultural, mesmo, uma situação triste para este nosso País.
 
A indignação com os casos de corrupção que estão surgindo diariamente nas notícias da mídia – jornais, revistas, rádio e televisão, além da Internet – deveria ser dirigida também à base da sociedade, aos atos considerados de “pequeno poder ofensivo”. Não basta clamar por justiça e por responsabilização dos responsáveis pela situação da Petrobras. É preciso que nos insurjamos contra a corrupção do dia a dia. Se o problema não for combatido na base, dificilmente seremos capazes de acabar com este câncer que corrói os cofres públicos brasileiros.

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