O ano era 2013. O então prefeito Alexandre Ferreira fez evento no centro comunitário da Vila São Sebastião e lançou projeto apresentado por ele como “modelo”: a revitalização do córrego do Engenho Queimado. Com custo estimado de R$ 11 milhões, a obra seria feita em parceria com o governo federal e deveria ficar pronta em agosto de 2014.
Mais de três anos se passaram após o prazo fixado para a entrega, Alexandre já foi desbancado da Prefeitura e os moradores da região da Vila São Sebastião continuam esperando pela implantação do tal projeto modelo. Não é força de expressão dizer que o dinheiro público foi levado pelas águas. Ou que escorreu pelo esgoto.
As margens do córrego estão se transformando em lixão. Tem tudo o que é tranqueira: vaso sanitário quebrado, restos de sofás, sacolas plásticas, garrafas descartáveis e entulho de construção. O local também estaria virando ponto de desova. “Há poucos dias, mataram um cara aqui e jogaram o corpo debaixo das árvores”, disse um morador que pediu para não ser identificado.
As águas estão sujas e exalam mau cheiro. Há muito lixo acumulado. As poucas obras realizadas estão se deteriorando. Aparentemente, o serviço terá que ser refeito. Vizinhos dizem que há residências que despejam esgoto no córrego. Na tarde de terça-feira, dois adolescentes tentavam laçar um cavalo que havia entrado no riacho. Não há sinal de revitalização.
A lei do silêncio impera no bairro. Os moradores falam, mas sempre na condição de anonimato. “Tem muita gente barra pesada que fuma droga nas margens do córrego. É melhor a gente tomar cuidado e não aparecer. O projeto é bom, mas o serviço foi mal feito. O dinheiro foi jogado fora. A Prefeitura não dá manutenção. Há mais de um ano que nada é feio por aqui”, disse o dono de uma chácara nas proximidades.
Obras já custaram R$ 3,7 milhões
A revitalização se transformou em uma novela com custo milionário e sem previsão de um final, muito menos, feliz. Inicialmente, as obras estavam previstas para serem entregues em agosto de 2014. A conclusão foi adiada para outubro de 2015 e, depois, para abril deste ano. Na hipótese mais otimista, o serviço ficará pronto no final do ano que vem.
As obras são de responsabilidade da Emdef. Até a interrupção, foi feita parte da canalização. A Prefeitura informou que a Secretaria de Planejamento realiza estudos para adequação do que falta para concluir o projeto e para saber se o dinheiro que resta será suficiente.
O Ministério das Cidades disse que 32% das obras foram executadas. Da verba total de R$ 11,7 milhões, foram liberados para o município R$ 3,7 milhões. Segundo o governo federal, a previsão de data para término do contrato é dezembro de 2018.
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