Brincando com os nossos votos


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DECISÃO DO SENADO SOBRE AÉCIO FOI COMO SAPATEAR NA CARA DO ELEITOR
Mais uma vez, fomos feitos de tolos. O Senado Federal, confirmou a movimentação que já vinha ocorrendo desde que o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu afastar Aécio Neves (PSDB-MG) do mandato: anteontem, 44 colegas rejeitaram a decisão judicial e restituíram o mandato do tucano, que foi flagrado num áudio onde pede R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, hoje preso, processado por corrupção e por uso de informação privilegiada para lucrar no mercado financeiro. Mais uma vez, o corporativismo ficou evidente. Ainda mais quando se sabe que dos 44 senadores que livraram Aécio, pelo menos 18 deles são alvos de processos abertos no Supremo, a maioria por corrupção. Ou seja: livraram um agora para se garantir no futuro, pois também estão com a corda no pescoço. No mínimo foi uma desfaçatez, mas deles não se pode cobrar nem fidelidade ao eleitor, já que cerca de 20% dos que formam o Senado estão lá sem ter recebido qualquer voto. São suplentes que ninguém conhece que substituem o titular. Inclusive o francano, que seguiu a maioria.
 
Esta é mais uma prova de que o País necessita urgentemente de uma reforma política feita ao largo dos gabinetes do poder que, nos últimos tempos, só têm servido de cenário para negociatas, conchavos e acordos espúrios. Não se pode esperar nada da classe política que aí está, que não se mostra ciosa dos seus deveres para com aqueles que se sentem traídos, pleito após pleito, por quem elege. Assim como Michel Temer (PMDB) não tem condição moral de ocupar o mais alto posto da República depois de ser gravado numa conversa nada republicana com Joesley Batista, Aécio Neves não reúne a mínima condição de voltar ao Senado e atuar em nome dos mineiros que lhe deram o mandato. Assim como Renan Calheiros (PMDB-AL), Fernando Collor (PTC-AL), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e os outros quinze senadores cujos processos estão parados no STF por causa do foro privilegiado.
 
Os discursos após a decisão de restituir a cadeira ao senador mineiro deixam bem claro que o povo não conta. Nem as provas robustas contra Aécio. Interessa, sim, defender-se das consequências futuras de suas ações espúrias e ilegais. Na Câmara dos Deputados, o advogado do presidente Michel Temer usou a possibilidade de que mais de uma centena de parlamentares (também denunciados e que poderão ser processados por corrupção) serem presos por determinação da Justiça para defender seu cliente. Hoje, não interessa aos detentores do poder os destinos do País, a retomada do crescimento e o corte de gastos dos Três Poderes. Além de avançar cada vez mais no bolso do contribuinte para cobrir os rombos e garantir os seus benefícios, a eles importa apenas salvar as próprias peles. É vergonhoso!

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