A quem interessa a atual situação?


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CONFRONTO ENTRE GRUPOS, ORGANIZADOS OU NÃO, PREJUDICA LIBERDADES INDIVIDUAIS
Está se acirrando, nos últimos tempos, os confrontos entre grupos antagônicos. O “nós” contra “eles” criado pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ainda repercute, com “mortadelas” e “coxinhas” digladiando nas redes sociais, muitas vezes de forma raivosa. De ambos os lados, a mentira e a deturpação tomam conta dos posts nas redes sociais, criando um ambiente cada vez mais conturbado. Os norte-americanos têm uma prova do que pode acontecer quando “nós” e “eles” se enfrentam: Donald Trump é o presidente de uma das mais poderosas nações do mundo. No cargo, já conseguiu “enterrar” o acordo do clima (para a redução das emissões de poluentes nos próximos anos), tenta destruir o programa de saúde do seu antecessor e sonha em transformar os Estados Unidos numa sociedade fechada, restringindo a entrada de estrangeiros e insistindo na construção de um muro na fronteira com o México. E, para piorar, pode causar um conflito global ao criar um confronto aberto com Kim Jong Un, ditador norte-coreano.
 
Hoje, no mundo, ideologias religiosas e diferenças de raça e gênero estão causando uma série de conflitos, na maioria das vezes violentos e vitimando centenas de milhares de inocentes. No último sábado, um atentado com caminhão bomba em Mogadíscio, capital da Somália, deixou mais de 350 mortos. Trata-se de mais um entre as centenas de atos de terrorismo, cuja escalada assistimos entre horrorizados e temerosos. Ao longo da História da humanidade, atrocidades foram cometidas contra ideologias, raças e religiões, com resultados devastadores e vitimando, na maioria das vezes, inocentes que nada tinham a ver com a questão. Atualmente, moradores de Mianmar fogem de ataques étnicos mas não impedidos de entrar em Bangladesh, numa clara demonstração de que ainda há povos que não encontram um lugar tranquilo para tentar sobreviver.
 
As redes sociais têm sido um terreno vasto para discursos de ódio contra rivais. Além dos “mortadelas” e “coxinhas”, hoje vemos a “direita” e a “esquerda” disputando espaços e tentando fazer valer a opinião pessoal. Volta e meia a Justiça é chamada a se pronunciar sobre ataques contra  minorias. Nem exposições de arte estão a salvo, ainda mais quando se pretende censurar ou proibir a livre expressão garantida pela nossa Constituição. Também não sabemos até que ponto isso vai continuar ou a quem interessa em manter este confronto. O problema é que são atacadas as liberdades individuais e a própria democracia. O que se deve ter em mente é que não há raça, fé religiosa ou gênero superior. O que há — e isso deveria ser relevado — são indivíduos feitos de carne, sangue, ossos e tecidos: somos todos iguais e deveríamos nos olhar assim. No final, o destino de todos é o mesmo: a morte e o apodrecimento do corpo.
 

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