O sentimento de tolerância é, sobretudo, a virtude de aceitar no outro forma diferente de pensar e agir. É admitir que o semelhante exerça o seu direito de ter convicções, ainda que diferentes das minhas. É também apreciar que, enquanto eu torço por um time de futebol, que os outros torçam pelos de sua simpatia, mantendo-nos, por isso mesmo, em perfeita relação de respeito e fraternidade, até mesmo cumprimentando-os quando forem os melhores. Parabéns, vocês são melhores que nós!
Aliás, é fundamental que, num mundo verdadeiramente civilizado, onde impere a tolerância, sem que haja conivência com o que considere errado, o indivíduo aceite as diferenças. Não concordo com a conduta do fulano, mas respeito seu livre-arbítrio que, todavia, lhe exige responsabilidade.
No campo das religiões, a tolerância deveria ser fundamento de essencial respeito. Contudo, segundo notícias recentes, alguns umbandistas foram agredidos por religiosos divergentes. Também o túmulo que recebeu o corpo de Chico Xavier, que era espírita, em Uberaba (MG), foi alvo de desrespeito violento, tendo sido quebrado o vidro protetor do busto do caridoso médium.
Paradoxalmente, tais atos de vandalismo são atribuídos a quem se diz cristão, mas confronta os ensinamentos de Jesus, o Príncipe da Paz, que ensinou-nos a oferecer a outra face, a perdoar não somente sete vezes, e que a “a misericórdia é a melhor oferenda”. O que justificaria tais violências? A convicção religiosa? Parece que ouvimos na acústica da alma o Mestre divino dizendo: ‘Esse povo me honra com os lábios, mas me ofende com o coração’.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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