Valorização necessária


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BASE DO CONHECIMENTO, O PROFESSOR PRECISA READQUIRIR A SUA IMPORTâNCIA
Comemorado neste domingo, o Dia do Professor praticamente tem passado em branco nos últimos anos. Hoje, a classe dos educadores vê-se encalacrada entre a falta de valorização pelas autoridades e de respeito de seus próprios alunos e dos respectivos pais. Há uma completa inversão na percepção da função dos mestres: a eles cabe ensinar, enquanto a educação de seus alunos deve ser exercida pelos pais, em suas casas. Hoje, exige-se muito do professor sem que ele receba em troca condições dignas de trabalho e de sobrevivência. Há muitos que vivem dias de medo e insegurança, diante das ameaças sofridas dentro das salas de aula. Pelo menos no Estado de São Paulo, esta exposição causa um grande índice de afastamento das salas de aula dos responsáveis para transmitir conhecimento a nossas crianças.
 
A valorização da categoria é fundamental como reconhecimento de sua importância. O professor está na base de todo o conhecimento humano. Ainda estaríamos vivendo em cavernas caso não existisse aquele que ensine as primeiras letras, as operações básicas da matemática e os fundamentos das outras matérias que compõem o currículo escolar básico. Pesquisas internacionais mostram que são muitos os desafios a serem vencidos pelos professores do ensino básico no Brasil. A grande maioria dos próprios professores apontam para a desvalorização da profissão pela sociedade. O que se vê hoje é que um quinto do tempo em sala de aula é usado para controlar o comportamento dos alunos. A falta de condições de trabalho e a dificuldade de se impor dentro de classe são preponderantes para os baixos índices registrados pelo ensino em nossa terra. 
 
Para se ter uma idéia, em países onde o ensino atinge números de excelência, a profissão é encarada como deveria ser por aqui: como primordial para o desenvolvimento e futuro da coletividade. Na Suécia, por exemplo, o professor está na pirâmide das profissões e chega a ganhar o equivalente a R$ 21 mil para uma jornada bem mais amena do que em nosso País. Lá, um deputado tem vencimentos equivalentes a R$ 19 mil, não conta com assessores de sua livre escolha, mora em apartamento funcional (com cozinha e lavanderias coletivas) e se deslocam utilizando o transporte público. Esta é a única mordomia: o Estado paga as passagens.
 
Caso não haja valorização e o professor volte a ter voz ativa dentro da classe, dificilmente conseguiremos reverter esta difícil situação . É preciso que o educador readquira a importância que ostentava em meados do século passado e seja estimulado e protegido. Só assim nossas futuras gerações poderão contar com uma educação de qualidade, capaz de prepará-las não apenas academicamente, mas também para os desafios que certamente irão enfrentar.
 

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