DIFERENÇAS ENTRE REGIÕES DO PAÍS PODEM PREJUDICAR META PARA 2030
Não é surpresa para ninguém que o Brasil ainda aparece mal colocado nos diversos rankings internacionais sobre a qualidade do ensino. Das classes fundamentais aos cursos superiores, há instituições que se destacam nas duas pontas dos levantamentos, principalmente internacionais. Temos escolas que são consideradas ilhas de excelência, enquanto há outras onde não se oferece o mínimo de condição para o aprendizado. Hoje temos modelo já desgastado, que regrediu aos níveis de um século atrás, onde só quem tinha condições financeiras conseguia acesso a uma educação de melhor qualidade.
Estudos internacionais, como o divulgado ontem pela Fundação Abrinq, mostram isso. Segundo ele, a redução das desigualdades entre as regiões brasileiras no acesso e na qualidade da educação é um dos principais desafios do país para o cumprimento dos ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas) até 2030. O estudo compõe uma série de quatro relatórios que serão publicados para analisar os principais indicadores nacionais associados a crianças e adolescentes para o monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ao analisar o acesso à educação, o principal desafio está na educação infantil. Enquanto a média brasileira de crianças de 4 e 5 anos matriculadas na pré-escola é de 91,6%, em estados como o Acre, Amapá e Amazonas o índice fica entre 71% e 75%. Os cinco estados com mais baixa oferta de pré-escola estão na Região Norte. Segundo o PNE (Plano Nacional de Educação), todas as crianças nessa faixa etária deveriam estar matriculadas até 2016.
O estudo também revela que a cobertura de creches nos estados da Região Norte é bem menor do que a média brasileira (30,4%), ficando em patamares como 6,5% no Amapá e 8,3% no Amazonas. Segundo o estudo divulgado ontem, os dados mostram que, se mantido o atual ritmo de ampliação das vagas, em especial o ritmo mais lento em regiões como o Norte e Nordeste, não atingiremos a meta do PNE para todas as regiões e grupos sociais. A meta é de atendimento de 50% das crianças de até 3 anos em creches até 2024. Na avaliação sobre a qualidade do ensino, o estudo aponta desigualdades na taxa de aprendizagem para o 3º ano do ensino fundamental. Na matemática, por exemplo, enquanto a média de crianças com aprendizagem adequada é de 42,9%, em estados como o Maranhão o índice é de 16,3%. Na escrita, a média brasileira é de 65,5% e no Pará, de 34,3%. Também há desigualdades nas taxas de analfabetismo da população entre 10 e 17 anos, que no Norte e Nordeste chegam a 5,4% nessa faixa etária, quase o dobro da média nacional (2,9%) e superior às demais regiões: Centro-Oeste (1,4%), Sudeste (1,3%) e Sul (1%).
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