O que pode levar uma pessoa, aos 64 anos, hospedar-se em um luxuoso hotel em Las Vegas, a Capital dos Sonhos para muitos, instalar armas de repetição nas janelas do apartamento que ocupa e, daquele local, abrir fogo aleatoriamente, ceifando a vida de dezenas de pessoas inocentes e provocando ferimentos em centenas de outras?
Essa é a resposta que as autoridades e o Mundo esperam encontrar para, pelo menos, tentar entender o injustificável ato praticado Stephen Paddock. O atirador, ao longo de sua sexagenária existência, levou uma vida aparentemente normal. Contador aposentado, alcançou sucesso financeiro e pelo que se apurou até aqui, nunca teve qualquer intercorrência mental, não foi ligado a grupos extremistas político ou religioso e não era usuário de drogas.
Tinha, no entanto, forte apreço a armas de fogo, mantendo em sua residência um arsenal, adquirido com enorme facilidade, pois nos Estados Unidos é mais fácil adquirir uma arma do que comprar batatas em uma feira livre.
Único ponto fora da aparente normalidade já apurado, foi o de que Stephen Paddock era um jogador compulsivo e que teria, recentemente, perdido uma considerável soma de dinheiro.
Penso, no entanto, que a única explicação para um ato de tamanha barbárie, para se ficar com o mínimo, é o fato de que o ser humano é, efetivamente, uma verdadeira “caixinha de surpresas”, e de onde menos se espera é que surge o fato inesperado.
O que as pessoas sensatas aguardam, é que um episódio tão lamentável, pelo menos reabra nos Estados Unidos a discussão da forma de comercialização e de uso de armas de fogo. Não pode o lobby da indústria bélica ser maior que o de toda a comunidade racional do planeta.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
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