Marcella Murari
e Carolina Ribeiro
DA REDAÇÃO
Franca figura entre as 100 melhores cidades para se investir, segundo um estudo da revista Exame feito pela consultoria Urban Systems. A Terra do Calçado conquistou a 85ª posição no ranking que considera todos os municípios com mais de 100 mil habitantes do País e aponta aqueles que possuem as melhores condições para a realização de negócios. Entre os principais indicadores considerados no estudo estão economia, saúde, educação, finanças, transporte, infraestrutura e dados demográficos. Ante 27 pontos possíveis Franca atingiu 9,32. O primeiro lugar, conquistado por São Paulo, atingiu 15,29.
Para a secretária de Desenvolvimento de Franca, Flávia Lancha, a economia estável da cidade, a qualidade de vida e a infraestrutura oferecida são alguns dos aspectos que fizeram com que Franca alcançasse uma boa e inédita posição no ranking do estudo. “Todo o conjunto e a diversidade do nosso mercado contribuem para isso e para que a cidade seja boa para investir e cresça ainda mais”, disse.
Apesar dos aspectos positivos, Flávia alerta para um fator que tem que ser trabalhado para o contínuo crescimento da cidade: a melhora na renda dos trabalhadores. “Em Franca, os salários são baixos. Estamos trabalhando para que a renda da cidade se fortaleça e alcance uma posição ainda mais privilegiada”, completou.
O raciocínio de Flávia foi acompanhado pelo economista Hélio Braga Filho. Para ele, a segurança, a saúde, a educação, a infraestrutura e indústria diversificada, além de um anseio da população da cidade e também da região em consumir produtos e serviços, contribuem para Franca estar entre as melhores cidades para se investir, mas a renda da população precisa melhorar. “Se a renda é baixa, o consumo segue essa linha. Isso precisa mudar”, disse.
O estudo mostra que não é preciso ser uma metrópole para perceber a importância de planejar o futuro e aponta que, mesmo cidades do interior, têm feito as primeiras investidas nessa direção.
Investimentos
A construção civil é um dos setores que mostram o crescimento em negócios em Franca. Segundo dados da Alfa (Associação dos Loteadores e Empreendedores Imobiliários de Franca), somente nos próximos seis anos, empreendimentos imobiliários na zona Sul de Franca devem movimentar R$ 1 bilhão em vendas.
Nos últimos anos, apenas com a infraestrutura de novos loteamentos imobiliários na cidade, foi investido valor superior a R$ 400 milhões, segundo estudo realizado pelo Secovi (Sindicato das Empresas de Construção e Venda de Imóveis) de São Paulo. No total, 36 novos loteamentos, com 14,8 mil unidades habitacionais, entre concluídos e em fase de construção, surgiram em Franca entre 2010 e 2016.
“Franca possui mão de obra qualificada, mas com custo menor. Ou seja, o custo da produção é mais barata, o que atrai os investidores de forma geral. Já quando falamos de construção civil, podemos destacar que o déficit habitacional na cidade, que ultrapassa as 15 mil unidades, mostra uma demanda reprimida”, disse o proprietário da Parra, Marcos Parra. “Além disso, temos notado, tanto no caso de locação como compra de imóveis, que o clima agradável de Franca tem atraído pessoas com mais idade que decidem passar sua aposentadoria por aqui”, completou.
Diversidade
Assim como a secretária de Desenvolvimento, Flávia Lancha, apontou, Franca possui uma grande gama de serviços. Além da indústria calçadista, responsável por gerar milhares de empregos na cidade, a indústria de lingerie, alimentos e serviços têm se destacado como oportunidades de negócios.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que nos primeiros seis meses deste ano, a exportação de peças íntimas com origem de Franca para diversas partes do mundo cresceu 59,21%: em 2016, entre janeiro e junho de 2016 a cidade exportou US$ 143,5 mil e, no mesmo período em 2017, esse número saltou para US$ 228,5 mil.
Outro fator que mostra as diferentes nuances de negócios em Franca são as atividades das mais de 15 mil MEIs (Microempreendedores Individuais) ativas na cidade: varejo de vestuário e acessórios, 1.570 empresas; cabeleireiros, 1,2 mil; obras de alvenaria, 746; acabamento de calçados de couro, 722 e tratamento de beleza, 480 empresas.
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