PODERÍAMOS SER PROTAGONISTAS NA PRODUÇÃO DE COMBUSTÍVEL RENOVÁVEL
O nosso País teve a possibilidade de se tornar um dos maiores fornecedores mundial de um combustível limpo e renovável. Como já deixamos claro aqui, em janeiro de 2015, caso tivéssemos uma política clara de produção, distribuição e incentivos, o etanol poderia ter se transformado no combustível do futuro sonhado há mais de 40 anos, ainda sob a ditadura militar, quando se criou o Proálcool. Com grande capacidade de produção da cana de açúcar, matéria-prima na fabricação do álcool hidratado, o Brasil foi se perdendo ao longo dos anos e deixou passar a chance de protagonizar uma verdadeira revolução mundial. Hoje, há outras alternativas para substituir a gasolina, o diesel e o querosene em diversos países do mundo, mas a maioria passa pela energia elétrica.
Nem o biodiesel derivado da mamona, anunciado com alarde ainda no governo Lula, ganha espaço diante da busca de uma alternativa ao combustível fóssil. Embora ainda tenhamos reservas imensas de petróleo no subsolo (inclusive no Brasil, principalmente depois da descoberta dos lençóis no pré-sal), já temos consciência de que um dia este estoque irá se esgotar e teremos que utilizar outro tipo de combustível e a energia elétrica não é pode ser considerada viável, pelo menos em médio prazo: sua produção é cara e atualmente depende das usinas hidrelétricas e termoelétricas, pelo menos em grande parte do mundo.
Como a indústria automobilística instalada por aqui já domina a tecnologia dos motores movidos a álcool (e todas elas são multinacionais, com presença no mundo todo), perdemos uma grande chance de aproveitar todo o seu potencial. Atualmente, o Brasil poderia estar exportando o etanol pelo mundo afora, contribuindo para o emprego de milhões de trabalhadores em diversos pontos do País, como se imaginava na década de 1970. Mas isso não acontece. E, o que é pior, nem os brasileiros contam com vantagens em utilizar o carro a álcool: não há benefícios ou subsídios capazes de tornar o combustível mais barato no mercado interno.
Hoje, além de ser um aditivo da gasolina, o etanol torna-se muitas vezes desvantajoso em relação ao derivado de petróleo: embora custe menos, um veículo usa mais etanol para se locomover. Ainda continuamos dependentes dos combustíveis fósseis, como se pode verificar nos últimos meses, com aumentos sequentes nos preços da gasolina e do diesel, que acabam “puxando” também o do álcool hidratado. O Brasil também não dá a devida importância ao etanol. Rareiam os incentivos até aos produtores. Falta ação do governo para que este cenário mude e que o etanol comece a ser visto como uma alternativa real e segura aos combustíveis fósseis não apenas aqui no Brasil, mas também no mundo todo.
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