O brasileiro tem que reagir logo


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NÃO PODEMOS FICAR PARADOS DIANTE DE MANOBRAS FEITAS SOB NOSSOS NARIZES
 
Em junho de 2013 o brasileiro teve oportunidade de mostrar a sua força. Manifestações populares sacudiram a maioria das cidades do País e deixaram claro o nosso descontentamento com os rumos do Brasil, o suficiente para assustar a classe política. Muito se prometeu e, com o passar do tempo, ficou por isso mesmo. Os políticos continuaram roubando, o brasileiro continuou morrendo sem atendimento de saúde digno. Aí surgiu a Lava Jato, que esclareceu tudo aquilo que todos nós imaginávamos: ministérios e estatais vinham sendo saqueados para uma intensa troca de propinas, que serviram para irrigar cofres partidários e bolsos de quem deveria estar zelando pelos interesses da população brasileira. Porém, estavam eles lesando os cofres públicos recheados com o dinheiro de trabalhadores e empresas. 
 
Depois disso, novas manifestações levaram à queda da então presidente Dilma Rousseff (PT), em agosto do ano passado. E fim. Atualmente, o brasileiro mostra mais uma vez imobilismo e letargia diante de fatos gravíssimos que certamente impedirão a mudança que todos nós ansiamos. As ruas estão quietas e, por isso mesmo, o Congresso Nacional vem trabalhando no sentido de invalidar tudo o que se fez até aqui, no âmbito da Justiça e da Polícia Federal. O principal agora, além de sangrar ainda mais os cofres públicos, com a criação de um Fundo Eleitoral bilionário, é encontrar formas que impedir que parlamentares e políticos sejam presos. Além da defesa do senador Aécio Neves (PSDB-MG), o Congresso Nacional arvora a si a tarefa de interpretar as leis e impedir que a Justiça alcance os detentores do maléfico foro privilegiado, que cria uma casta na sociedade brasileira que não se submete aos ditames da lei.
 
De acordo com o jornalista Cláudio Humberto, um dos mais influentes de Brasília, sem alarde, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou substitutivo ao projeto 513/13, que pode abrir caminho para a impunidade de políticos envolvidos na Lava Jato, por exemplo. O projeto dificulta a denúncia pelo Ministério Público de quem devolver o que surrupiou. Ou seja: quem meter a mão no alheio, vive na maciota até ser pego. Mas é só devolver o que foi descoberto e ganha o perdão legal. Não é para se indignar? A falta de punição à maioria dos condenados no processo da Lava Jato também é exemplar: o juiz Sérgio Moro já condenou 101 acusados, mas poucos foram para a cadeia. Por isso, o brasileiro precisa voltar a se indignar e ir para as ruas, externando toda a sua insatisfação com nossa classe política. Esperar até as eleições do ano que vem não é uma opção, uma vez que pesquisas mostram que o brasileiro ainda não está sabendo separar o joio do trigo. Só a pressão popular será capaz de situar a nossa insatisfação e colocar em xeque o sistema que aí está.

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