Pesquisa realizada pela Arteris, companhia do setor de concessões, analisou o comportamento dos motoristas em rodovias do Brasil e comprovou que parcela significativa desrespeita a legislação, contribuindo para o aumento das situações de risco que podem ter impacto direto no número de acidentes e de mortes. O método, também aplicado em pistas da França, Espanha, Argentina, Chile e Porto Rico, revela que os condutores não mantêm distância mínima de segurança entre os veículos, não sinalizam ao mudar de faixa, não usam o cinto de segurança no banco de trás e usam o celular enquanto dirige.
Dados exclusivos obtidos pelo Comércio comprovam que a imprudência dos motoristas brasileiros se reflete da mesma forma e é verificada diariamente pela Polícia Rodoviária nas pistas que cortam a região de Franca. Nos oito primeiros meses do ano, 3.021 motoristas foram multados na rodovia Cândido Portinari, no trecho entre Batatais e Rifaina, por dirigirem sem cinto de segurança. Outros 340 foram flagrados fazendo ultrapassagens irregulares, enquanto 320 estavam dirigindo bêbados.
O balanço de autuações feitas nas rodovias Ronan Rocha/Fábio Talarico, entre Itirapuã e divisa com São José da Bela Vista, mostra que 729 motoristas estavam sem o cinto de segurança, 1.226 fizeram ultrapassagens proibidas e 170 caíram no teste do bafômetro.
Os abusos causaram 291 acidentes na Cândido Portinari este ano. O saldo foi de 182 vítimas, sendo 36 graves e oito fatais. Na Ronan Rocha, foram 117 acidentes que deixaram 96 vítimas, das quais 15 em estado grave e duas pessoas mortas. A estatística leva em consideração as mortes ocorridas durante a elaboração da ocorrência. “Atitudes imprudentes podem colocar em risco a vida do próprio usuário e de outros condutores, pedestres e ciclistas e, por isto, exigem cada vez mais ações preventivas diferenciadas por parte das concessionárias, do poder concedente, dos órgãos de controle e fiscalização”, disse que Elvis Granzotti, gerente de operações da Arteris, empresa que controla a Autovias.
Ele afirma que a pesquisa de comportamento é ferramenta importante para ajudar na redução do número de acidentes e de vítimas nas estradas. “Conhecer a fundo o costume dos usuários tem se revelado cada vez mais importante para desenhar e executar ações mais estratégicas para sensibilizar e provocar mudanças de comportamento no trânsito, reduzindo assim as fatalidades”.
57,5% dos motoristas não usam a seta, aponta estudo
O estudo elaborado pela Arteris tem por objetivo aprofundar o conhecimento sobre os comportamentos de usuários das pistas, identificar alternativas para a redução de riscos e fornecer informações para a fiscalização rodoviária.
Durante os sete dias de observação, 82 mil veículos foram monitorados por sensores fixos em pontos estratégicos e por pesquisadores.
Os dados coletados indicam que 15,9% dos usuários não mantêm a distância mínima de segurança entre os veículos. 29,6% dos motoristas desrespeitaram o limite de velocidade e 57,5% foram flagrados mudando de faixa sem sinalizar com a seta.
O cinto de segurança é ignorado por 1% dos condutores e por 48% dos passageiros no banco traseiro. E 1,19% dos motoristas estava com o celular nas mãos.
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