Este é o Brasil que desejamos?


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NOSSO POVO ESTÁ SOFRENDO E NÃO HÁ QUEM SE SENSIBILIZE E AJA EM SEU FAVOR
 
O Brasil, além de não ser um País sério, trata mal os brasileiros. Mais por causa de uma classe política que pensa primeiro em seus próprios bolsos e futuro do que no sofrimento daqueles que mais necessitam. Vivemos numa democracia que mais parece uma ditadura dos poderosos, onde quem mais precisa vê-se refém de  políticas públicas perversas e eleitoreiras, onde não há equidade para quem não tem condições de pagar pelo seu bem estar e aqueles em condições de prover o seu tratamento médico. Enquanto “cabeças coroadas” que se instalam nos Três Poderes da República contam com toda a sorte de benefícios e vantagens, o trabalhador comum ainda espera alguma condescendência dos que elegeu para defendê-lo. Não está havendo a recíproca, diante do que vemos todos os dias, principalmente quando se trata da saúde do brasileiro comum. 
 
Foi comovente o apelo que o desempregado Wladisnei Peliciari fez na sessão de ontem da Câmara Municipal. Ele disse que a esposa luta há dez anos contra problemas renais e que passa por sessões de hemodiálise. Mesmo tendo conseguido vencer ações contra o Município e o Estado, afirmou não conseguir ter acesso ao medicamento Mimpara ou Cinacalceti de 30 miligramas, cuja caixa custa R$ 870, segundo ele. São necessárias quatro caixas por mês. Peliciari disse que o município forneceu o medicamento até o mês passado e que o Estado não cumpre sua parte há quatro meses. Foi um apelo pela vida que deveria calar fundo aos corações daqueles que se dizem defensores do povo, mas que estão encalacracos com a Justiça por causa de atos contínuos de corrupção que envolvem até o presidente Michel Temer (PMDB). O ato de desespero de quem não tem emprego e vê a mulher definhar é mais uma mostra da insensibilidade e cupidez dos que deveriam trabalhar pelo bem do brasileiro como um todo e não apenas a favor de si próprio e dos que o cercam mais intimamente.
 
Neste mesmo momento, o Congresso Nacional se apressa em votar a criação de um fundo bilionário para bancar campanhas políticas, reduzindo em 30% as verbas que os deputados destinam aos municípios através das emendas parlamentares. Desde o início da polêmica, que se arrasta há meses, não houve deputado ou senador que defendesse o fim de uma série de benefícios próprios para bancar as suas campanhas. Enquanto isso, continuamos vendo ações judiciais não sendo cumpridas (elas só alcançam quem não pode pagar advogados caros e experientes) e nada acontecendo. O drama de Wladisnei Peliciari é o drama de milhares País afora os quais ainda acreditam que a classe política do Brasil vai respeitar a Constituição, onde está disposto que é dever do Estado prover a população de Saúde, Educação e Serviços com um mínimo de qualidade.

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