Trânsito: ainda um problema nacional


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país OCUPA A QUARTA POSIÇÃO NO RANKING MUNDIAL DE MORTES
 
Ao lado da violência causada pela criminalidade que só aumenta e deixa o brasileiro com alta sensação de insegurança, os acidentes de trânsito continuam sendo um grande problema nacional. Vinte anos depois de sua criação, o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) ainda não é suficiente para tirar o Brasil de uma posição nada invejável no ranking mundial de mortes no trânsito: o quarto lugar, depois da China, Índia e Nigéria. Os dados oficiais mais recentes do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade), do Ministério da Saúde, são de 2015, quando 38.651 morreram vítimas de acidentes de trânsito. Esse número foi 11% inferior a 2014, mas ainda elevado e em ritmo lento diante do propósito de um dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), da ONU (Organização das Nações Unidas), que é reduzir as ocorrências à metade no fechamento da década, em 2020.
 
Os casos envolvendo automóveis caíram 23,9% e os óbitos por atropelamentos, 21,5%. Já os registros referentes a motociclistas diminuíram com intensidade menor (4,8%). De acordo com esse relatório, o estado de São Paulo foi o que mais conseguiu reduzir o número de vítimas fatais ao passar de 7.303 (em 2014) para 6.134 (em 2015), uma baixa em termos absolutos de 1.169 óbitos. Em seguida aparece o Rio de Janeiro (de 2.902 para 2.193), o que significa 709 mortes a menos, e Bahia, onde 2.265 pessoas perderam a vida em 2015, ante 2.737, em 2014, uma diferença de 472. 
 
Para o Ministério da Saúde, essa redução “pode estar relacionada à efetividade das ações de fiscalização após a Lei seca”, implantada há 9 anos. Em suas considerações, a pasta destaca que, “além de mudar os hábitos dos brasileiros, a lei trouxe um maior rigor na punição e no bolso de quem a desobedece”. O condutor flagrado dirigindo sob efeito de qualquer quantidade de bebida alcoólica está sujeito a multa de R$ 2.934,70, além da suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Na reincidência, o valor é dobrado. 
 
Uma outra explicação é o desaquecimento no mercado interno de veículos e também a integração dos municípios ao SNT (Sistema Nacional de Trânsito). De acordo com o ministério, nas localidades onde foram criados os órgãos executivos de trânsito foi constatado um recuo de 12,8% no registro de mortes provocados por acidentes, enquanto nos demais ocorreu queda de 8,9%. Mesmo assim, os números continuam altos. Quem lê o Comércio acompanha diariamente notícias sobre acidentes, muitos com vítimas graves ou fatais, provocados por imperícia, negligência ou embriaguês. Só a legislação não será capaz de reverter o quadro hoje registrado: é preciso, antes de tudo, que o condutor veicular se conscientize da própria segurança e a de terceiros e passe a cumprir o que determina o CBT. Apenas com isso, os números cairiam bastante.

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